quinta-feira, 25 de abril de 2013

À Minha Neta, Recém-Nascida.


À Minha Neta,
Recém-Nascida.
(19 de março de 2013).

(Armindo Trevisan)

Chegaste, Carolina.
como quem não quer acordar
um passarinho que dorme.

Chegaste pelo mais seguro,
e misterioso dos  caminhos:
o ventre de uma mulher.

Trouxeste nas tuas veias
Invisíveis, um pouco de sangue
com vestígios dos aromas
do Paraíso. onde Deus passeava à tarde.

Tive a alegria de ver-te
já liberta da placenta,
procurando no ar
o apoio que tinhas no seio.

Observei como abrias
e fechavas os olhos
à luz que te envolvia.

Nesse instante percebi,
na tua boca pequenina,
um bocejo feliz.

Mimosa neo-habitante
do mundo em que vivemos:
cabe a ti a tarefa
de reinaugurá-lo:

- como o canto dos galos
reinaugura as manhãs,

- como as primeiras estrelas
reinauguram as noites,

como um pedaço de pão
reinaugura a fome, 

como um gole d’água
reinaugura a sede.

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