quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ultimato: uma Revista Ecumênica de Alto Nível.

I.
       Há alguns anos, recebo gratuitamente uma revista, que considero uma das publicações nacionais de maior sinceridade – a de maior elegância ecumênica - do Brasil.
         O nome da revista, inicialmente, me surpreendeu – e até hoje me assusta um pouco: Ultimato.
         Peguem-na nas mãos, e verão que a revista nada tem do nome, senão o de ser um convite-choque.
         Que significa ultimato?
         Um dicionarista autorizadíssimo, Antônio de Morais Silva informa-nos:
         - Ultimatum (como antigamente se dizia): Últimas condições que um Estado apresenta a outro e de cuja aceitação depende a continuação das negociações diplomáticas em que estão interessados.
Intimativa formal, de cuja aceitação depende não se declarar a guerra/ Resolução final e irrevogável.
         Que os leitores, pois, interpretem – metaforicamente – como melhor lhes parecer tal nome.
         A mim, interessa-me ai conteúdo religioso dessa publicação, e sua orientação evangélica.
         Orientação?
Não há dúvida de que seu Diretor é uma personalidade singular.
Um teólogo?
Sem dúvida, mas um teólogo prático, ou como se diz: pastoral,  mais interessado em colaborar  - no plano salvífico de Cristo - do que em marcar gols no placar futebolístico teológico.
 Num século competitivo como o nosso, num país, como o nosso, que transborda de novos-ricos em todos os setores, parece que um brasileiro não tem vez caso não se sinta permanentemente favorecido pela Lei de Gerson.
         Li inúmeros artigos do Pastor Elben M. Lenz César.
De seus livros, li apenas um, que apresenta um título sugestivo: Conversas com Lutero. História e Pensamento.
(Viçosa, Editora Ultimato, 2006).
         Esse livro do Pastor César é, efetivamente, uma graça – emprego com plena consciência semelhante expressão, pois graça evoca a Graça Divina, sem a qual ninguém entra no reino dos Céus.
É verdade que existe, também, uma graça humana. Aqui faço alusão àquela graça que poderia ser definida: - como o é pelo dicionarista já citado, como favor que se dispensa sem obrigação ou que se recebe; e também: mercê régia, agrado, atrativo, airosidade, facilidade e elegância no modo de dizer; sal, fina malícia ou mordacidade na expressão.
         Não encontro muita “mordacidade” nos escritos do Pastor César, mas neles acho sal, alguma malícia, e sobretudo, facilidade e elegância no modo de dizer - ah, isso existe às pampas, isto é, ás alterosas, nos seus escritos.
         Leiam, por favor, a mencionada obra do Pastor César.
É uma compacta e bela introdução ao pensamento luterano. O autor oferece-nos um texto “rigorosamente baseado em fatos históricos. As respostas colocadas na boca de Lutero, quando em itálico, foram retiradas, na maior parte das vezes, de seus próprios escritos, reunidos nos nove volumes de Martinho Lutero – Obras Selecionadas, com a devida permissão da Comissão Inter-luterana de Literatura (CIL), e das Editoras Sinodal (São leopoldo, RS) e Concórdia (porto Alegre, RS)”.
O Pastor César cativa o leitor por sua transparente honestidade. Leva-o a refletir, suscita-lhe questões contemporâneas.
É como se Martinho Lutero estivesse sendo entrevistado nos dias de hoje, num programa de televisão, ou melhor, num auditório universitário.
Livros assim deveriam ser lidos por um vasto público.
São contribuições valiosas ao Ecumenismo, ao grande Ecumenismo - não o ecumenismo-mirim, o pequenino, que se recusa a afrontar os verdadeiros problemas que a consciência, tanto dos católicos como dos protestantes, requer.
Aprendi inúmeras coisas com o livro do Pastor César. Aproveitei, inclusive, suas sugestões bibliográficas.
Tornei-me mais cristão, embora ás vezes, paradoxalmente, me tenha tornado menos católico no sentido de que não se avança em direção ao irmão separado, a não ser saindo do próprio lugar, e caminhando para ele, visto que “o caminho se faz quando se caminha” – como dizia o poeta Antonio Machado.

II.

         Volto à revista Ultimato.
 Não é, propriamente uma revista “teológica”, no sentido estrito do vocábulo. É uma revista que inclui temas teológicos, abordados com método para-científico, com responsabilidade evangélica, sempre ao alcance do grande público.
 A atmosfera da revista traz, por vezes, ar fresco da Judéia e da Galiléia, e ás vezes, o aroma dos laranjais da Palestina.
         Temas candentes?
A revista não os esquiva.
Lembro-me de que, tempos, atrás, publicou-se nela uma série de artigos e depoimentos sobre a Homossexualidade e a Bíblia.
A revista não tomou ares doutorais, nem recorreu a fórmulas condenatórias. Também não sonegou nenhum dos problemas que a Bíblia pressupõe. Nem escondeu as perplexidades que assaltam os cristãos, nos dias de hoje, quando a permissividade se impõe como um critério de sociabilidade e “democracia”...
Ultimato deixou claro que a questão devia ser resolvida à luz da Revelação, mesmo quando esta Revelação impõe a exclusão de determinados “pontos-de-vista”, de aceitação inconsiderada entre os cristãos.
Em todos os momentos, Ultimato demonstrou respeito e simpatia pelos homoeróticos,  valorizando-os como pessoas, ou seja, na sua condição de homens e mulheres chamados à vida sobrenatural oferecida por Cristo.
Acabo de receber o número correspondente a julho-agosto de 2012, que tem como artigo de capa: A Europa precisa de Jesus agora, Como sempre, a “Carta ao Leitor” é de autoria do Pastor Elben César.
         Nessa Carta elecita uma frase recente do Papa Bento XVI:
         - A Europa sem o Cristianismo não é mais Europa européia.
         Outros dados são apresentados ao leitor, entre os quais o estudo do Tutor do Curso de Mestrado em Missões Européias no Reino Unido, Jim Memory. Por ele  somos informados de que “70% dos europeus afirmam acreditar em Deus”.
Três outros artigos completam a reflexão de Jim Memory: “O Paradoxo da Missão Cristã na Europa”.
Dois outros artigos, na revista, polemizam entre si.
O primeiro: “O Cristianismo promete tudo, mas não fez nada” tem sua resposta no artigo: “O Cristianismo leva muito tempo para fazer, mas faz”.
         Enfim, resumindo: eis uma revista que, sem elevar a voz, sem utilizar címbalos e estridentes trombetas, proclama a verdade do Evangelho, a fim de que cada cristão releia a Boa Nova sem prevenção, com um coração progressivamente mais aberto e sobretudo, progressivamente mais livre.
         A verdade vos fará livres. Tal mensagem de Jesus poderia caracterizar a preocupação básica de Ultimato.
        
Nota:
aos interessados, fornecemos o telefone da revista (31) 3611-8500 e seu e-mail: atendimento@ultimato.com.br
          

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