terça-feira, 19 de junho de 2012

Ségolene Royal e as Estratégias da Hipocrisia.

Vivemos numa sociedade hipócrita, que faz questão de ser hipócrita.
Analisemos o affaire da ex-mulher de François Hollande, eleito recentemente Presidente da França, o qual, nas eleições legislativas de 17 de junho pp., obteve aplastante vitória sobre o partido de Sarkozy e do direitista Le Pen.
Ségolène parece ter cometido uma loucura: desafiar os barões do Partido Socialista Francês, quando da disputa do poder com Sarkozy, em 2007.
Ela não percebeu que ninguém, de seu Partido, se interessou em impugnar sua candidatura. Os barões já sabiam que Sarkozy venceria as eleições.
Diante disso, por que tentar barrar Ségolène?
Todo o mundo sabia que ela iria ser destroçada pelo leão sem juba, o futuro Presidente Sarkozy, como o seriam, aliás, os barões do PS, se naquela ocasião tivessem concorrido.
Quando chegou a hora das novas eleições, Ségolène ousou, com inexplicável candura, recandidatar-se. Nenhum mandarim socialista se importou com sua pretensão.
 Diante da rejeição de seus “pares”, Ségolène chorou.
Mulher guerreira, uma vez enxugado o pranto, arregaçou as mangas. Não era ela a mãe dos quatro filhos de François Hollande, o atual Presidente da França?
Seu ex-marido teve a honestidade de apoiar a sua candidatura a deputada. Ségolène disputou a indicação partidária com outro candidato socialista, ficando combinado entre eles que quem obtivesse maior número de votos, seria apoiado pelo candidato vencido.
 Ségolène venceu.
Monsieur Olivier Falorni, seu rival, não aceitou a derrota. Declarou-se “socialista dissidente”, e registrou sua candidatura no segundo turno
Ao que parece, Monsieur Falorni continuou a ser apoiado, secretamente, pelos barões do Partido. Favoreceram-no, também, os votos da Frente Popular da Sra. Marine Lê Pen.
Resultado desse imbróglio: Ségolène foi mais uma vez derrotada.
Para complicar a situação, a nova esposa do Presidente Hollande, Valérie Trierweiler, interveio na briga: publicou no seu tuíter uma nota, recomendando a candidatura de Monsieur  Olivier Falorni, o socialista dissidente.
A grande imprensa mundial condenou, em todas os idiomas possíveis, a intervenção política de Trierweiler.
Pergunta-se:
- Qual teria sido o motivo de tão imprevisto ato?
Segundo a maioria dos comentaristas:
 - La gelosia!  
O vocábulo italiano é empregado aqui para conferir uma moldura operística ao ciúme da nova companheira de Hollande.
Ségolène manifestou sua insatisfação, tanto em relação à traição dos barões, como em relação à “traição” da Sra.Trierweiler.
Possivelmente, alguns leitores deste blog suscitarão uma questão: qual o interesse em abordar em nosso blog  um incidente que só teve protagonistas descendentes de Obelix?
- Ledo e ivo engano – diria, com seu sorriso enigmático, o Sr. Luís Fernando Veríssimo.
Respondemos:
- A derrota de Ségolène tem a ver com o Brasil.
Mulheres do Brasil, não se iludam!
O feminismo não conseguiu todas as vitórias que pensou ter conseguido.
No comportamento social, político, e cultural brasileiro subsiste um fundo de machismo. Um machismo rancoroso, talvez“canceroso”, capaz de resistir às mais ardilosas quimioterapias.
A realidade é que a Sra. Ségolène (por quem não não temos nem simpatia nem antipatia!) foi sabotada politicamente por ser mulher.
Sem dúvida, ela cometeu erros, especialmente um maiúsculo: antes das eleições do segundo turno, declarou que, se eleita, disputaria a Presidência da Assembléia Francesa.
Em muitas situações da política nacional, analistas independentes  têm percebido indícios de um  anti-machismo em nosso meio, o qual tenta solapar o prestígio da Presidente Dilma.
 Não nos atribuam visões quixotescas de gigantes nos moinhos-de-vento de Brasília, e alhures – que não as temos.
 Os gigantes existem, e os moinhos de-vento, em boa hora, estão sendo substituídos por pilares geradores de energia eólica.
As mulheres brasileiras, essas é que devem prevenir-se.
Todos os brasileiros progressistas deveriam, neste momento, colocar-se do lado delas, contra o machismo.
Tal machismo, em grande parte, subliminal na política, ma vida social, e na cultura nacionais,  só lhe falta - para ser mais vulgar do que tem sido – extremar-se, e fazer o que Mario Quintana dizia que alguns “grossos” do seu Estado fazem, quando se reencontram: :
- Param, relincham-se, abraçam-se...
(Poesia Completa. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, 2005. p. 801).

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