domingo, 20 de maio de 2012

François Hollande: Corte de 30% nos Contracheques dos Ministros!

I.    Aconteceu o imprevisto!
Aconteceu o impossível!
Aconteceu, tout court, um milagre!
A não ser, irmãos...que o marketing nos tenha induzido a erro, e sua eficiência tenha atingido as raias do cinismo publicitário, de forma que, com o transcurso dos dias, descubramos um golpe montado para “alavancar” o sucesso do PS nas eleições legislativas de julho pf. na França.
Sim, na França de Joana d’Arc e de Voltaire!
O flamante Presidente François Hollande anunciou, no dia 17 do corrente, na posse de seus 17 ministros e 17 vice-ministros, pela primeira vez dispostos paritariamente ao redor da mesa do Gabinete Presidencial, ou seja, dispostos segundo o sexo com que a natureza os dotou: 17 varões, 17 mulheres, equilibrando-se sobre os pratos da balança heráldica da Igualdade, da Liberdade, e da Fraternidade -  num comovente espetáculo oferecido aos olhos da Nação - o que não deixa de ser um exemplo de cidadania oferecido pela França ao mundo!
Na mesma ocasião, o Presidente François Hollande assinou a primeira decisão do Conselho de Ministros: uma redução de 30% nos contracheques dos seus auxiliares imediatos.
Todos perceberam que a decisão foi uma réplica simétrica à anacrônica decisão de Sarkozy, de cinco anos atrás, quando o ex-Presidente ,na mesma oportunidade em que era empossado, aumentou em 170 % o salário dos seus ministros.
O que espanta – se é que ainda algo nos espanta– foi um detalhe: o anúncio da instauração de um Código Deontológico, ou seja, de um código de Conduta Ética Pública no país.
 Doravante, será obrigatória a austeridade nos altos escalões governamentais.
O exercício do poder será regido por normas claras e rigorosas, pautadas pelos critérios da “dignidade, sobriedade, e eficiência”, com transparência em termos de informação aos eleitores.
François Hollande limitou o número de assessores para cada ministro: máximo de 15 auxiliares. Ordenou que  as despesas de representação sejam baixadas, de modo a eliminarem 10 % da generosidade anterior.
Cada ministro será obrigado a tornar pública sua declaração de bens. Não poderá omitir, nessa declaração, nenhuma informação fiscal importante, nem poderá continuar administrando o próprio patrimônio imobiliário durante o tempo em que estiver em função pública. A administração dos bens deverá ser exercida por outra pessoa, alheia à função administrativa.
Pelo mesmo decreto ficou vedado aos ministros aceitar doações acima de 150 euros. Eles deverão declinar convites privados de Gabinetes estrangeiros, ou de pessoas físicas e jurídicas, que estejam relacionadas com as atividades de seus ministérios.
Finalmente, nada de decisões arbitrárias!
A democracia participativa terá absoluta prioridade.
 Em miúdos: os ministros deverão aproximar-se dos humilhados e ofendidos. Deverão ouvir-lhes os pedidos e, na medida do possível, atendê-los. O bem comum sempre será anteposto aos interesses privados.
En plus: os funcionários públicos serão obrigados a divulgar pela Internet os atos oficiais, concedendo às pessoas a possibilidade de os avaliarem.

II.  Fiquei realmente alarmado com tais decisões do neo-Presidente Francês!
 Terá algum dos Profetas da Bíblia - digamos Amós ou Isaías - descido dos céus, por ordem de Deus, e falado aos novos governantes franceses?
         Os anúncios de François Hollande, no primeiro dia de seu governo, não oferecem apenas um feixe de decisões éticas: oferecem uma promessa de santificação da administração pública francesa.
         Caros leitores, estou disposto a acreditar em tão boas notícias!
         Mais do que isso: ouso dirigir à Sra. Presidente Dilma Rousseff, um pedido: que analise a conveniência de se enviar uma missão diplomática à França, para informar-se das medidas tomadas pelo novo Presidente Francês.
         O Brasil está mais precisado do tal Código de Ética destinado às Funções Públicas, do que os descendentes de Joana d’Arc e Voltaire.
         Dado que a França foi, outrora, nossa mentora política (ao menos, foi isso o que sempre nos disseram nossos professores de história, com especiais referências ao Positivismo de Auguste Comte em nossos Políticos e Militares), pois bem, que o insigne exemplo  dos franceses repercuta em nossa terra, e que algumas das migalhas de tão suculento prato  moral caiam da mesa parisiense para debaixo das mesas do Planalto.

III. Irmãos, o caso não é só para leitura!
         O caso é, antes, para nos ajoelharmos diante da imagem de Notre-Dame de Paris.
Devemos suplicar à Virgem, cuja estátua do século XIII orna o altar-mor de sua Basílica junto ao Sena, que se digne interceder também pelo Brasil, persuadindo nossos políticos a seguir as virtuosas lições de François Hollande, e de seus correligionários.
Evitaremos, talvez com tais preces, que desabem sobre nossa Pátria novos Mensalões, nocivos à população em geral, e de conseqüências imprevisíveis para a ecologia do Pantanal.
         Quanto ao mais, aguardemos o que possa resultar, ao longo do próximo qüinqüênio, na França pós-Sarkozy e pós-Carla Bruni, de tão santas medidas!

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