sexta-feira, 18 de novembro de 2011

“United Colors of Benetton”: Chega de Cafonices!

 
I.
        Eles pensam que podem tudo.
Quem?
Os donos do poder e do dinheiro!
        Na Síria, o elegante tirano que a governa, o Sr. Bachad Assad, filho de outro tirano, prefere massacrar o país inteiro, a largar o poder.
        Na Itália, a Empresa Benetton não receia guindar-se à Glória de Bernini da Cafonice, isto é, do mau gosto!
        Há algum tempo, essa multinacional vem insultando a opinião pública sob pretexto de defender causas sociais. Não as defende, coisa nenhuma. Defende seus “colors”, seus capitais (talvez) voláteis, e suas inúmeras lojas em todo o mundo.
        Cafonice?
        Dizem os chineses que é impossível reformar, ou melhorar o mundo, sem mexer no vocabulário, isto é, sem explodir os lugares-comuns, tanto ops banais como os sofisticados, que se apresentam ao público com as vestes Up-to-Date das cortesãs.

Vejamos o que é CAFONICE.
       
Consultemos dois dicionários brasileiros, o Aurelião, e o menos conhecido de Francisco S. Borba.
        O Aurelião registra o seguinte:
       
Cafonice:- qualidade de cafona.

Remetamo-nos ao termo sugerido, CAFONA:
       
- Cafona: diz-se da pessoa que, com aparência ou pretensão de elegância ou riqueza, é ridícula e de mau gosto; fajuto, miquelino, jeca.
       
Francisco S. Borba é menos feliz na sua definição:
        - Adjetivo (Qualificador) 1. de mau gosto; ridículo;pessoa de mau gosto;N 2.pessoa de mau gosto.
        (Dicionário de Usos do Português no Brasil.São Paulo, Editora Ática, 2002).

Resolvi, também, consultar um dicionário itasliano-português:

- Cafone. s.m. camponês;saloio, rústico, grosseiro.
(Giuseppe Mea. Dicionário de Italiano-Português. Porto, Porto Editora, 1989).

Finalmente, como a camélia que deu o último suspiro e depois morreu, apelei para um repositório lexical preciso, o Dicionário de palavras e expressões estrangeiras, que utilizo com freqüência, de autoria do competente Prof. Luís Augusto Fischer, edição da LPM, 2004.
Não encontrei nele o verbete.

Não obstante, o Prof. Fischer não esqueceu outros vocábulos e expressões italianas: “Ma non troppo”, mamma, mangia, che te fa bene”, aggiornamento, al primo canto, belvedere,cabellone, capo, capuccino, condottiere...”

Detenhamo-nos, para que ninguém nos acuse de fazer publicidade comercial em favor da LPM Editores.
Não entendi esse lance do ilustre professor da UFRGS.
Se há coisa que pode ser dita, que tem sido exportada pela Itália, nos últimos tempos, é a cafonice, em todas as suas formas, salvo –obviamente – as que poderiam ser atribuídas a seus cérebros pensantes, e a outros indivíduos possuidores de um cesta básica neuronal.
Solicitamos ao Prof. Fischer o favor de honrar, não só a boa memória italiana, mas também a péssima memória deles, acrescentando no seu Dicionário um verbete sobre o assunto, a partir da próxima edição, a fim de o Dicionário ficar totalmente aggiornato.

II.

        Creio que não é é preciso acrescentar mais nada!
A definição, principalmente do Aurelião, é perfeita.
        A Benneton deu mais um exemplo de  cafonice planetária, nas suas campanhas de publicidade escandalosa, ao mostrar o Papa Bento XVI beijando o Imã Ahmed El Tayyeb, do Cairo, e o ex-Premier Berlusconi beijando a Sra. Merkel.
       
Chegamos, então, à perfeição na invasão das intimidades pessoais? que
Já os déspotas da publicidade não se contentam em insultar os mortos? Agora querem insultar também os vivos, como ocorreu com um abjeto vídeo sobre o problemático ex-Premier Berlusconi, que me foi enviado pela Yotube?  Um horror: uma infâmia! Berlusconi merece mais respeito, mesmo se ele não se preocupa muito em nos respeitar!
        Se as pessoas protestam contra as Autoridades Americanas porque os funcionários da segurança de seus Aeroportos submetem os corpos elegantes das mulheres, verdadeiras obras-primas da Natureza, aos raios-laser e outros raios perscrutadores do invisível, a fim de detectar – não propriamente os segredos maravilhosos do sexo e do amor, mas armas e explosivos perigosos para a Coletividade, por que não protestam, essas mesmas organizações contra a Benetton, e todas as agências de publicidade que nos jogam na cara aquilo que o irreverente Giovanni Papini, também italiano, chamava “o esterco do Diabo”, isto é, o dinheiro?!
        É preciso instituir, não uma censura da imprensa, mas um Código de Ética que não dependa dos donos dos jornais, e sim de um Conselho de Pais de Família, Líderes Religiosos e Magistrados equilibrados.
        Amanha ou depois, uma Agência de Publicidade tomará uma foto de Karl Marx, que meu professor de filosofia em Fribourg, na Suuíça, I. M. Bochenski, dizia que era um mau filósofo, porém um economista e sociólogo  de grande respeito, e o apresentará ao público como Hitler fez com os marechais e generais responsáveis pelo atentado contra a sua vida: de calças baixadas, com a genitália à vista!...
 Jamais perdoarei ao anti-marxista que fizer isso, embora eu não seja marxista. Como jamais perdoei ao Sr. Adolf Hitler a sua cafonice e crueldade histórica, sem falar no rol infinito de seus crimes contra a Humanidade.
O que está em jogo, neste momento, não é uma ideologia, um partido, uma Cultura, mas a Dignidade Humana, a condição de criatura criada à imagem e semelhança de Deus.
Que os Bispos, em vez de terem dores de cabeça com detalhes dopgmáticos, se preocupem, igualmente com isso, e que as Organizações Ecumênicas saiam, de uma vez de suas tocas, para enfrentar, não tigres de papel, mas difusores de lixo audiovisual
A higiene pública está exigindo tal atitude das autoridades legislativas e executivas, e até de seus Departamentos de Saneamento Básico.

III.

        Não é possível que nos varram com Raios-X e Ressonâncias Magnéticas, e com outros aparelhos cada vez mais aperfeiçoados de exploração visual, e nos deixem expostos à cafonice da publicidade.
        O humor, o cartunismo, etc., não podem invadir a zona de respeitabilidade do ser humano.
Existe, uma extra-territorialidade psíquica, que pode ser comparada à extra- territorialidade marinha, onde não se pode pescar bacalhau ou caçar baleias.
       
Quem nos vai ajudar nessa batalha?
        Ninguém!
Aqui no Brasil, no tempo da Ditadura, os ignóbeis  funcionáriosa serviço dela espalharam por todo o Brasil fotos forjadas de Dom Ivo Lorscheider, Bispo de Santa Maria, nas quais se via o prelado beijando uma prostituta.
        Desde que vi tal ignomínia, dispus-me a colocar minha modesta capacidade de expressão a favor de todos os agredidos, de todos os ofendidos e humilhados psíquicos, de todos aqueles que pretendem viver num mundo despoluído da canalhice.
        A ecologia psíquica deve ser promovida com igual pertinácia e intrepidez como o é a ecologia comum.
       
Quem nos ajudará nisso?
        Ninguém.
       
Nós, a minoria silenciosa, teremos que intensificar nossa consciência cristã, e sair a campo, não para defender privilégios fiscais, e pseudos-direitos sociais de épocas passadas, como faz o Catolicismo Espanhol, mas o  Serviço Pastoral, tal qual Cristo no-lo ensinou.
       
Ainda bem que temos uma Presidente que está honrando a sua função de Governante Máxima, por sua inteligência, ponderação, enfim por sua  Classe.
Notem: CLASSE!
A Sra. Dilma Rousseff esbanja classe, e isso faz bem à nação, e deve, com o tempo, repercutir em nossas mulheres, que merecem muito mais respeito, cortesia, e valorização.
       Deixemos a cafonice para os que a inventaram, dos quais, aliás, descendo por meus avós.
Pior para mim...
Sou até Cavaliere  “nell’Ordine della Repubblica Italiana”.
A condecoração me foi entregue, há alguns anos, pelo amável e culto Cônsul Geral das Itália em Porto Alegre, Dottore Panaro.
Mais uma vez, Digníssimo Dottore Panaro, meu Muito Obrigado!     

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