sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Foi a Itália Quem Inventou Pinóquio!

 I.

      Carlo Collodi nasceu em Florença em 1826 e faleceu, nessa mesma cidade, em 1890.
Celebrizou-se por um livro, que hoje está traduzido em todas as línguas: Pinóquio, publicado pela primeira vez em 1878.
Walt Disney interessou-se pelas aventuras do simpático personagem, do qual tirou o argumento para um filme, que fez a volta ao mundo.
Os que leram a obra-prima de Collodi,(no século passado) estão lembrados do boneco – il buratino! – que realizou uma série de peripécias boas e censuráveis.
Nem sempre esse amável moleque tinha bons guias para o orientarem. Alguns de seus amigos,como a Raposa, eram decididamente safados.
Uma Fada ajudava Pinóquio a desenrascar-se. Graças a ela, Pinóquio pôde salvar o velho e desamparado Geppetto, que tivera a idéia de criá-lo, a partir de um nó de pinho.
Tudo isso é secundário em relação ao NARIZ de Pinóquio que crescia sempre que o buratino contava uma nova mentira!

Lastima-se, hoje, que a invenção de Geppetto não possa ser aplicada à atual Política Italiana.
A Televisão Internacional mostrou que o nariz, tanto do ex-Primeiro Ministro italiano, que se demitiu, como dos membros de seu governo, não aumentou nem diminuiu durante seus 17 anos de poder na Itália.
Se a expressão italiana, que Gioacchino Rossini empregou na sua Ópera Il Signor Bruschino continuar a ser utilizada na sua pátria, os italianos devem ter sofrido alguma  prurido nas protuberâncias nasais.
O protagonista da Ópera de Rossini dizia:
- Se isso é verdade, che mi caschi il naso...

II.

Será possível, a nós brasileiros, entender a história italiana que se desbobina aos nossos olhos?
Tenho uma opinião a respeito: um imbróglio não se entende.
      Sou descendente de italianos, e disso me gabo, como me gabo de ser descendente de Adão e Eva, dos quais procede a humanidade inteira.
      Uma vez que não possuo sangue azul, considero-me neto de imigrantes pobres. Sempre tributarei respeito e simpatia às origens nobres de meus ancestrais pobres. Nobres porque herdeiros de uma das culturas mais opulentas do Mundo Ocidental.
Eis a razão por que acompanho, com minuciosa atenção, a vida cultural da Itália.
Não é minha pátria, mas é a pátria de alguns Poetas que mais amo, como Dante Petrarca, Leopardi, Ungaretti e Saba; de alguns dos Pintores que mais aprecio, Giotto e Caravaggio entre eles, mas também Giorgione, Ticiano e Veronese; de dois Santos que venero de modo particular, Francisco de Assis e Clara de Assis: Francisco de Assis é o santo que me aproxima dos outros homens, especialmente dos ateus, agnósticos, e de indivíduos pertencentes a outras religiões.
Só falta dizer que meu romancista predileto seria Manzoni, o autor de Os Noivos.  É um deles, mas também aprecio outros ficcionistas da Itália, em especial Giovanni Verga, Luigi Pirandello, Tomasi di Lampedusa e Ítalo Calvino.
Para comcluir uma auto-apresentação tão indiscreta, adiciono-lhe outra indiscrição, a pior de todas: recebi do Governo Italiano uma “onorificenza”: a de Cavaliere dell’Ordine al Merito della Repubblica Italiana.
Ela me foi entregue num gracioso estojo. Achei lindas as medalhas da mencionada condecoração. 
      A razão, para tal honraria, foi-me “explicada” num documento em italiano, do qual extraio (perdoai-me a vaidade!) o seguint trecho, que me parece de ficção generosa:
“Il Prof. A. T. há dato um contributo rilevante allá conoscenza della Cultura Italiana attraverso la sua opera di educatore, di scrittore e di critico”.
     
Tal distinção,é lógica que me encanta e me emociona, mas será merecida?
Há controvérsias!
Julgo-a uma honraria, e como estou persuadido de que, sem um excesso de generosidade da parte dos que concedem as honrarias, nenhuma delas se mantém de pé.
Recebi-a, eis tudo!
Agradeço ao Povo Italiano “l’onorificenza”.
 Sempre fiel à amizade que dedico a essa nação!

III.

Referi-me a escritores italianos atuais.
Foi um deles, a quem sempre admirei com moderação, mas que reconheço ser, talvez, mais talentoso do que eu o supunha, Antonio Tabucchi, quem, na minha opinião, escreveu o melhor esclarecimento jornalístico, dirigido a um leitor não-italiano, sobre a ascensão e queda (provisória?!) de Silvio Berlusconi.

Resumo aos leitores o que Tabucchi diz:
     
1.    Tudo começou em 1993, quando a Itália chegou à beira do caos, com assassinatos, atos de terrorismo, e bombas da Máfia em Florença, Milão e Roma. Nesse ano Berlusconi fundou um novo Partido: Forza Itália, com a colaboração de Marcello Dell’Utri (hoje condenado em segundo grau por cumplicidade com a Máfia) e do advogado Cesare Previti (condenado por corromper Juízes), e por Gianni Letta, diretor de um jornal romano extremista.
2.    Em 1994, Berlusconi ganhou as primeiras eleições. Seu governo, porém, soçobrou logo depois por falta de apoio de um pequeno partido de inspiração fascista, a Liga Norte, dirigida hoje por um enfático e ossudo líder, a quem a imprensa de sua terra chama de “Il Senatur”. O líder chama-se Bossi
3.    Foi então que Massimo d’Alema, filho de um Senador Comunista, que tem uma alta opinião de si mesmo, considerando-se considera um “Estadista”, pavimentou o chão de Berlusconi em direção ao poder. D’Alema convidou-o a participar de uma Comissão Bicameral, destinada a reformar a Constituição Italiana de 1947.
4.    O ex-cantor de cruzeiros turísticos, e empresário da construção em Milão, Silvio Berlusconi aproveitou a oportunidade e, com o decidido apoio de Bettino Craxi, (que o documentadíssimo historiador inglês, Mack Smith, qualificou de “arqui-corrupto e arqui-corruptor”), o qual, mais tarde, foi obrigado a refugiar-se na Tunísia, assumiu o poder, ungido pelas urnas, que acreditaram nas suas promessas de criação de um milhão de empregos, e de outras mirabolantes ilusões, que as três – e únicas – redes de televisão particulares do país, todas de sua propriedade, caramelaram para os eleitores.
5.    Nós sabemos o que aconteceu depois.
6.    O que não sabemos, ainda, é que essa gravíssima crise da Itália não foi uma “desconstrução” realizada exclusivamente pelo maior empresário da nação, mas, segundo Tabucchi, contou com a colaboração da classe empresarial do Norte, com o apoio do Vaticano, especialmente do Cardeal Bertone (visto que Berlusconi se dispôs a subsidiar vigorosamente as escolas particulares católicas semi-falidas); contou, também, com dois jornais da rede familiar, Il Giornale e Libero, e de outro jornal adesista, Il Foglio, de Giuliano Ferrara. Além disso, Berlusconi conquistou as simpatias do imponente Corriere della Sera, o defensor da burguesia conservadora do Norte.
Parece que um único jornal, dirigido por Antonio Padellano e Marco Travaglio, Il Fatto Quotidiano, persistiu até ao fim em suas denúncias sérias e responsáveis.

7.    Nós, os brasileiros, temos acompanhado, com estupefação e indignação, o linchamento moral que os jornais e redes televisivas de Berlusconi fizeram do jornalista católico, Dino Boffo, ex-diretor do jornal oficioso da Conferência dos Bispos da Itália, Avvenire, quando este ousou fazer reparos ao comportamento de plaiboy do Sr. Berlusconi. O Sr. Vittorio Feltri, um dos diretores de Libero, acusou falsamente Boffo de ser homossexual (Os italisnos, machistas, mostram uma alergia pública a isso). Posteriormente, suspendido pela Ordem dos Jornalistas Italianos, Feltri foi obrigado a retratar-se. Ninguém sabe, até agora, quem recolheu as plumas do caso Boffo, que o vento scirocco levou...e espalhou, das Dolomitas aos nichos da Máfia siciliana.
8.    Dado que a sociedade brasileira, principalmente a ítalo-brasileira, provavelmente nunca chegará a saber de tais coisas, dado que Tabucchi é detestado por ela por ser esquerdista, eu – que não o sou – resolvi divulgar o que ele escreveu para El País, o jornal de maior tiragem da Espanha (14-11-2011).


Convido os leitores a meditar sobre tudo isso.
Não se deixem enganar pelas aparências, visto que as denominações “Esquerda” ou “Direita” não passam de etiquetas desbotadas, neste momento. São quando muito adoçantes, ora de aspartame e stevia, ora de ciclomato de sódio para nossos copinhos de nescafé ideológicos, quase sem nenhuma consistência.
 A frase que um cristão deveria lembrar é a do Mestre:

- A verdade vos fará livres.
           
Não tenho, por outro lado, certeza de estar dizendo a verdade, isto é, toda a verdade, ou – quem sabe toda meia-verdade, sobre os fatos.
Como ter acesso a eles?
A nós, leitores, e eu o copm vocês, sobra-nos uma única possibilidade: a de correr o risco de chegar perto da verdade!
Antes isso, porém, que manter-se inerte, como a opinião pública ficou durante as últimas décadas, diante das Ditaduras Latino-Americanas...
As Ditaduras desmancharam-se no sangue de inúmeras vítimas, e no ar de discursos hipócritas.
Hoje não há Ditaduras Militares; há Ditaduras Financeiras.
Dessas não entendo.
Eu as sofro, como todos os cidadãos do mundo.
Que os experts cristãos em Economia e Finanças tenham a coragem, a grandeza intelectua,l e o humor cáustico de Bernard Shaw e Gilbert K. Chesterton, para denunciá-las!
Garanto-lhes que farei preces à Virgem, e aos Santos de minha devoção, para que tenham êxito, e convençam a opinião pública que o caminho do mundo globalizado está pavimentado de boas intenções, mas que esse caminho pode levar-nos ao Inferno, ou ao menos, nas suas imediações.
       
  

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