sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O Que É Discutir? O Que É Debater?

Será que brasileiro sabe discutir?
      Será que brasileiro sabe debater?
      Manuel Bandeira, talvez o mais brasileiro dos poetas, pensa que brasileiro “não sabe discutir”.
Se o leitor abrir o seu livro de crônicas, Andorinha, Andorinha (Seleção e coordenação de textos de Carlos Drummond de Andrade. 2 ed. Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1986), encontrará tal afirmação na página 134.
O Poeta refere-se a uma tentativa de debate, ocorrido em 1946, a respeito de cinema falado e cinema silencioso.
Escreve Bandeira:
- Brasileiro não sabe discutir. Na segunda ou terceira reunião, o debate envenenou-se e quase saiu pancadaria. Tomei parte nele e devia ter apanhado, porque me portei como um quadrúpede.
Creio que no país, do Acre ao Chuí, nunca mais se viu humildade desse jaez!
Quem, em 2011, seria capaz de aplicar a si as palavras do grande poeta? É lógico que não temos mais quadrúpedes à altura de Manuel Bandeira.
 Estamos cercados de “gênios” em todas as áreas, estamos literalmente no meio de portentos cerebrais.
É possível que a massa encefálica dos brasileiros tenha ultrapassado. nas últimas décadas, a média sustentada, até recentemente pelos paleontologistas e neurocientistas. A quantidade de cérebro (massa encefálica) era – em 1987 - aproximadamente dez vezes maior que o dos símios superiores. (Dado citado por Jean Bernard, em seu livro: E Então a alma? Lisboa, Publicações-Europa-America, 1987. p.20). A média da quantidade encefálica atual é de 1.400 cc. O chimpanzé, o “primo” vivo mais próximo do homem, tem 1/3 do cérebro humano. Os Australopitecos tinham 500 cc; o Homo Habilis: 750 cc; o Homo Erectus: entre 900 e1.100 cc; o Homem de Neanderthal:1500 cc.
Provavelmente, neste ano da graça de 2011, tal massa seja 20 ou 30 vezes superior à dos símios peludos.
Se me objetarem que o poder mental não depende da massa encefálica, mas das sinapses que os neurônios (trinta biliões em cada homem) realizam por contigüidade (não por continuidade, como alertam os experts) respondo que a nação brasileira supõe ter ultrapassado também, um bilião de sinapses por milímetro cúbico de tecido nervoso. (Cf; Jean Bernard. Ibid. p. 18-19).
O país, portanto, bate um novo record inflacionário: o da inflação (inercial?) intelectual.
Por curiosidade, resolvemos informar-nos sobre o que significa discutir e o que significa debater.
1.                          Discutir é examinar todos os termos de uma questão, analisar todos os aspectos de um caso. Quem discute sustenta sempre um modo de ver, defende uma opinião, e procura impô-la a outrem.
2.                          Debater é ventilar e discutir esforçadamente, com vivo empenho, encontrando-se com adversário, e procurando vencê-lo. Em regra, só se debatem questões de grande importância, nas quais têm muito interesse os que as debatem: tais como casos políticos e judiciários de alta monta.
Busquei as definições em J.F. da Rocha Pombo: Dicionário de Sinônimos da Língua Portuguesa. (Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1914. p.184-185).
Embora respeite a definição de Rocha Pombo, não concordo com o dicionarista, a não ser no que se refere à definição de discutir.
Mesmo assim, atrevo-me a propor duas definições pessoais:
A)                          Discutir é expor uma opinião e defendê-la, não como “quadrúpede”, mas como “bípede de Platão”, isto é, um bípede racional, de modo a não ofender quem sustenta opiniões contrárias, mas, antes,com o objetivo de extrair delas elementos úteis à própria opinião, ou melhor, a uma opinião eventualmente diversa da até então sustentada.
B)                          Debater é convergir com inteligência e polidez para uma terceira posição, que torne sólidas as opiniões anteriormente ventiladas, e que eventualmente, pela combinação das vantagens de uma e outra, configure uma terceira afirmação, aceitável para ambas as partes.

No Brasil, ainda se pensa que discutir é jogar futebol com a cabeça.
Tenta-se cabecear, driblar, aplicar uma canelada ao adversário, canelada que se tenta subtrair aos olhos do árbitro graças a uma série de artimanhas.
O brasileiro, em geral, desinteressa-se de saber mais, isto é, descobrir que a verdade dos fatos é sempre aproximativa, e que por isso ninguém é dono das verdades factuais: o brasileiro é um futebolista nato: quer marcar tentos, ganhar uma Copa, humilhar o adversário com os gritos e palavrões da torcida.
Por que trago à baila noções inoportunas, politicamente incorretas? Sobretudo politicamente in- corretas?
Por uma razão principal: estamos num tempo em que é preciso aprender a discutir e a debater.
Já que barbeiro novo aprende em cara alheia, olhemos para a Itália, neste preciso momento.
Aprendamos com os italianos a errar, e depois – – a não errar.
Será que Mario Monti, o tecnocrata de um Curriculum Vitae excepcional, aos pés do qual o Curriculum Vitae do ex-Premier poderia lembrar a distância entre um besouro zumbidor e o vôo silencioso um Condor dos Andes – pois bem, tenho o palpite (hélas!) de que o Senador vitalício com o tempo vai dar com os burros na água...
Não conseguirá apagar, sequer como bombeiro, os incêndios de 17 anos de governo inundado de leis “ad personam”. 
Dou-lhes uma irritante razão disso: os políticos italianos já começaram a suspeitar que o Senador Monti apareceu para roubar-lhes o pedestal,  ou o microfone, para privá-los de brilhar, de chegarem a Estadistas...à custa de dois milhões de desempregados.
Aprendamos com os italianos a não ser arrogantes, a não bancar as “primas-donas”. Deixemos que as primas-donas ocupem os teatros, onde são insuperáveis. Cantam tão bem que só algumas no mundo, a Renée Fleming, por exemplo, ou a June Anderson e algumas outras, como a a maria Bayo e a Dorothea Röschmamann, se equiparam a elas.
Daqui do Brasil, rendo homenagem à Mirella Freni, à Cecília Bartoli, à Eva Mei, e a outras da mesma grandeza, que tanto prazer me dão com suas vozes afinadíssimas e mágicas. Tenho a sorte inaudita (negada a Mozart, a Beethoven e a Rossini) de ouvi-las (mediante vídeos), e ouvi-las sempre que o desejar!
Faço votos para que a Itália nos dê um exemplo inesquecível de enfrentamento de uma crise sócio-econômica.
Que a Itália nos ensine a voltar às fontes autênticas, às fontes das grandes personalidades cívicas, aos grandes nomes, do passado...e, por que não, do presente!
Que a Itália nos conscientize de uma realidade nua e crua: que a Política Mundial está doente! Está para ser entregue aos oncologistas!  
Lá - e cá, onde governa a Dilma, mulher in- teligente, prudente, gestora por excelência, de carácter, dotada de uma discrição que dignifica as mulheres do Brasil, inatacável do ponto de vista ético – sim, lá e cá necessitamos de gente que faça “faxina” . Necessitamos de gente que mande dependurar as chuteiras todos os ministros corruptos, e que não ceda a nenhum tipo de  sordidez ou de propina, males que estão à espreita para entregar o país aos narcotraficantes e aos aproveitadores contumazes.
Por milagre de Deus, com uma ajudazinha dos brasileiros, o país está numa situação semi-razoável. Os economistas estrangeiros dizem, arte (mas desconfio!) que o Brasil está bem.
Seus habitantes é que ainda estão mal.
Penso que D. Dilma nos ajudará a sair dessa situação.
Ela precisa de nosso apoio.
Que Deus a ajude a vencer, definitivamente, o linfoma que a atacou!
 Quem dá a saúde é Deus, embora quem dê os medicamentos sejam os médicos.
Seria ótimo se todos eles, numa manhã de lucidez inesperada, despertassem sabendo disso!



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