sábado, 26 de novembro de 2011

As Mulheres Islâmicas Imitam as Mulheres Ocidentais?

I.

Que as mulheres islâmicas tirassem o véu que lhes cobre o rosto quase – a burka – e passassem a exibir os olhos, amendoados que as tornam cativantes; que fizessem questão de revelar um pouco mais a própria personalidade feminina, durante séculos sufocada pelo machismo implacável de seus seus maridos; que pudessem, enfim, ser um pouco do que sempre desejaram ser: mulheres – a serviço das Mil e Uma Noites de um Sultão, mas  para os Mil e Um Dias de suas profissões conquistada pelo próprio mérito: nada mais humanista, desejável, e digno  de figurar no painel dos Direitos Humanos da ONU.
Que elas, porém, de repente, preferissem o exibicionismo, a exposição flagrante  dos seios – como profissionais do striptease– não nos teria ocorrido, até porque, no terreno minado das humilhações e vexames que as mulheres do Islã tem  sofrido até  anos atrás, muitas delas deram demonstrações de rebeldia e altivez.
Por que razão, então, a Srta. Alida Magda Elmahdi,  uma egípcia blogueira de 20 anos, opta por exibir suas mamas para um milhão de curiosos da Internet?
Desejo de fama?
Ânsia pelos já anacrônicos 17 segundos de celebridade?
Síndrome de top-model?
O exibicionismo, que a civilização ocidental impulsionou por todos os meios, atingiu, na atualidade, o despudor e o mau gosto.
Os seios, e outros órgãos da anatomia feminina, são extraordinariamente belos.
A natureza os moldou com engenho e arte, dotando-os das provocações propícias à procriação e, em se tratando de animais racionais, das condições que suscitam e favorecem o convívio erótico, o qual ultrapassa as exigências da genitalidade procriativa, dispõndo os parceiros a uma forma de amor, que não existe nos irracionais, ao menos numa dimensão de tanta profundidade e elegância humanas.
O amor, chamemos-lhe assim, ao menos enquanto – como disse uma vítima, ou pseudo-vítima (?) de um atentado sexual na França, não se reduzir à posse brutalizada de um chimpanzé em relação à sua fêmea, copnstitui um relaçcionamento oblativo.
Esse relacionamento é voluptuosa e consciente, e viabiliza, entre o varão e a mulher, não uma posse por assim dizer unilateral do macho, nem ninfomaníaca da mulher, mas algo que, sem deixar de manter seu fundo instintivo e, até certo ponto, egoísta, consegue transcende-lo em direção a uma atitude marcada pela consciência de que o EU e o TU são categorias do existir não-antropóide.
É evidente que se deve admitir uma pré-atitude sexual nos bichos, que nos devia ter sinalizado, desde muito tempo atrás, para uma compreensão maior do sexo dos próprios animais: o da emergência neles de uma sorte de pré-ternura, se é que, nalguns animais, em determinados momentos de sua existência, não atinge mesmo a ternura. Refiro-me a certas mães-animais, quase todas, e a certos bichos que, “hominizados” pela proximidade do convívio humano, se tornaram como que espelhos, embaciados ou não, do que de melhor existe em nós.
 O paleontologista, e filósofo francês, Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955), sempre sustentou que tudo o que existe no homem, preexistiu no animal - quase como se esse fenômeno animal fosse uma antecipação do fenômeno humano.
A ternura dos irracionais pode, em determinados momentos, provocar-nos lágrimas!  Dias atrás, vi na primeira página de um importante jornal europeu um cachorro chinês, que foi manchete na imprensa internacional, porque, ao falecer seu dono, ele se dirigiu ao seu túmulo, e lá ficou, à espera (quem sabe?) do retorno de seu amigo.
Porque o cachorro não só é o melhor amigo do homem, mas, em alguns casos, o seu único amigo.

II.

        O gesto da jovem egípcia, Alida Magda Elmahdi, do Cairo, parece ter nascido como um protesto simbólico contra os ditames da lei islâmica que, oficialmente, não reconhece os direitos das mulheres.
        Vejamos o que escreve a pesquisadora Melanie Miehl, membro da direção da Sociedade cristã-Islâmica e co-Presidente do Conselho Coordenador da União do Diálogo Cristão-Islâmico na Alemanha (http://www.kcid.de/), da qual a Editora Sinodalpublicou um pequeno – e utilíssimo livro -: O Que É o Islã? Perguntas e Respostas (São Leopoldo, 2005):
        - De maneira simplificada pode-se afirmar que, embora seja inquestionável que os sexos tenham o mesmo valor (no Islã), desse fasto não decorre que têm os mesmos direitos em todos os âmbitos da vida.(...) o Alcorão vê uma diferença hierárquica entre mulheres e homens: “Os homens têm autoridade sobre as mulheres pelo que Deus os fez superiores a elas, e porque gastam de suas posses para sustenta-las.(...) Aquelas de quem temeis a rebelião, exortai-as, bani-as de vossa cama e batei nelas”. (4,34).
        No Alcorão, de que habitualmente me sirvo, a passagem citada por Melanie Miehl tem a seguinte tradução do arabista português José Pedro Machado, seu tradutor direto do árabe:
        -Os homens são superiores às mulheres pelas qualidades com que Deus os elevou acima delas e porque os homens gastam os seus bens a dotá-las.
        Lisboa, Junta de Investigações Científicas do Ultramar, 1979. p.103).
Os islâmicos fundamentalistas vivem dentro desses padrões religiosos, e os têm por válidos integralmente para nosso mundo contemporâneo.
Desconhecem, pou parecem desconhecer, que o mundo não-tribal e alfabetizado, em que suas mulheres vivem, e nas quais são cientistas, escritoras, artistas, engenheiras, empresárias, etc., enfim profissionais, em todas as áreas, não é mais compatível com tais aspectos secundários de sua Fé.
Numa palavra: os imãs (mesmo tributando-lhes o máximo respeito) estão defasados em relação às mulheres islâmicas da atualidade,  como.no século XIX, o estavam nossos eclesiásticos católicos, quando pretendiam deter a emancipação feminina investindo contra o rouge, o bâton, as mangas curtas, as calças compridas, e enfim as minissaias.
       
Não terá razão a moça do Cairo, apesar de sua insolência, de sua agressão midiática aos hábitos inerciais de sua religião?
Ao exibir seus seios, com os apelos que eles produzem ou sugerem, a descendente da célebre e remotíssima Rainha do Egito, Cleópatra, talvez tenha pretendido  ferir o calcanhar–de-Aquiles de seus compatrícios, que as desejam ardentemente, mas não as querem livres. Querem que elas, ardam de amores por eles, e se curvem à sua paixão predatória, que carrega flamas que remontam às nascentes do Islamismo.
Nós, ocidentais católicos, que professamos que, em conseqüência do Pecado Original, não é fácil para ninguém, nem para Frei Beto, o herói d9ominicano que enfrentou as torutras dos miliates, resistir ao apelo de tais sucções  psicológicas (como o próprio frei o declarou ainda recentemente), teremos coragem de jogar a primeira, e a segunda pedra a essa jovem que está desabrochando para a sua sexualidade madura?
A jovem do Cairo pode ter querido dizer - não apenas aos seus compatrícios, mas aos machões ocidentais também – o seguinte:

        - Não sejam hipócritas, ó donos do planeta! Vocês querem que nos cubramos, da cabeça aos pés, para poderem continuar a nos explorar com maior facilidade. Ora, nós queremos poder escolher, também, nossos parceiros, ter os mesmos direitos que vocês, e se for o caso amar e desamarcom a mesma liberdfade com que vocês nos amam e desamam!

III.

        Insistamos num ponto, que alguns sexólogos  realçam: a compulsão da mulher ocidental, educada no Cristianismo, de tender para um certo exibicionismo. Ou seria, Dr.,Freud, narcicismo?
Por que tanta desnudez na televisão, e em outros meios de comunicação? Por que essa torreencial difusão de fotos na Internet?
A essas alturas, tenhom a impressão de que já se trata de...mendicância sexual...
        Os sexólogos        olham com suspeição para tudo isso. O desaparecimento do pudor tem a ver com uma sensível desvalorização da relação erótica.
Por falar em pudor, leiamos o que o Profeta Maomé escreveu:
- Dize aos crentes que baixem o olçhar e preservem o pudor: é mais correto para eles. Deus observa o que fazem. E dize aos crentes que baixem o olhar e preservem o pudor, e não exibam seus adornos além do que aparece necessariamente. E que abaixem seu véu sobre os seios, e não exibam seus adornos senão a seus maridos ou pais, ou sogros ou filhos e enteados, ou criador despojados do apelo sexual, ou às crianças que nada sabem da nudez da mulher.
(Cit. por Melanie Miehs. Ib. p.67.No meu Alcorão, o do arabista José Pedro Machado, lê-se:
- Dize às crentes que baixem os olhos e que obzservem a continência, que só deixem ver os ornamentos exteriores, que cubram os seus com véus, que só mostrem os ornamentos a seus maridos...(Ob. cit. p. 368).
Não há dúvida de que o Profeta entendia de mulheres, e era um homem muito inteligente, e dotado de um sentido psicológico no mínimo igual ao do melhor psicanalista contemporânero...
 Para que ninguém pense que estou querendo caçoar do venerável autor do Alcorão, valho-me de um dos mais veneráveis – e mais belos textos da Bíblia – do Livro de Jó, e menciono o “pacto” que Jó declarava ter feito com seus olhos:

- Eu havia feito um pacto com  meus olhos:
   Não desejaria olhar nunca para uma virgem.
(Cap. 31, versículo 1).

Que eu saiba, só São Francisco de Assis fez tal pacto com seus castíssimos olhos, pois nas suas biografias se diz que ela não olhava para as mulheres:

- Temia também por eles (seus frades) o perigo que representa por vezes a familiaridade com mulheres, mesmo as mais piedosas. Ele mesmo – escreve Celano, declarava que não saberia reconhecer de rosto senão duas mulheres nio mundo. Possivelmente eram a Irmã Clara e a Irmã Jacoba.
Omer Englebert: Vida de São francisco de Assis. Tradução de Adelino Gabriel Pilonetto. Porto Alegre, CEFEPAL-Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, 1978. p.144).

Para nós, glutões ópticos genéricos, e em especial, glutões eróticos, uma auto-exigência tão grande como essa, do maior Poeta da Cristandade  – que os autores do mundo o invejem! – talvez mais amado pelas mulheres do mundo ocidental – deixa-nos boquiabertos, como aliás o merecem todos os basbaques do mundo! É lógico que não é para quaisquer olhos tal pureza, ou – se quiserem – tal cegueira voluntária em relação aos estímulos sexuais. A nós, mortais comuns, cabe-nos apenas a discrição, o “pacto” de Jó quando o espinho da carne nos espicaça mais, e simplesmente a humildade de confessar que as devastações de nossa concuspicência, promovidas alegremente pela publicidade das ruas e das tevês, nos torna a vida cristã – como dizia Frei Beto – bem mais difícil do que a dos eremitas do deserto, que só tinham de lutar contra as memórias das cortesãs de Alexandria...
 Nem tudo, porém, são nuvens sombrias sobre nós!
A valorização erótica, em si, pressupõe, não só os atrativos do sexo, como também um plus psicológico que se relaciona com outras qualidades que não são propriamente a-eróticas, mas que se combinam com as eróticas no sentido de conferir personalização a relação corporal, de conferir-lhe um carácter de posse exclusiva, que exclui a relação do âmbito puramente procriativo, e a eleva a outro plano.
É uma espécie de ascensão do núcleo narcisista em direção ao núcleo, que alguns sexólogos denominam, contrariando o esnobiswmo dos sexólogos de moda: “oblativo”, significando com isso que o prazer do coito é complementado por uma penca de prazeres (com perdão da expressão!) que, a rigor, envolvem o coito de sentimentos e emoções que o prolongam no dia-a-dia, à maneira de ecos remanescentes.
É aí que se aninha aquilo que esses mesmos sexólogos, que são em geral não-católicos, mas homens de imensa finesse, qualificam de área da sensibilidade não-egoísta, capaz de submergir o egoísmo, que depende da unidimensionalidade do prazer corporal, numa sorte de comunhão mais extensa, que não consegue manter-se sem a adesão de um ato voluntário de entrega pessoal – ato que os animais irracionais não são capazes de efetivar.

IV.

        As reações (que li na Internet a respeito do gesto da jovem do Cairo) demonstram o quanto a mentalidade das pessoas está impregnada de preconceitos ridículos, do tipo:
- Sexo é isso, é o que é, não tem essa de sufocar sua tensão )ou tesãop, com o é moda dizer-se) instintiva...
        A realidade é que o sexo, por ser uma irrupção, na identidade física (ou corporal) de um indivíduo,  de outro indivíduom, de uma alteridade física (porém não só de ordem física) (ou corporal), que lhe é, no mínimo estranha, requer um mínimo de abertura pessoal, não só anatômica, mas psíquica.
É aqui que se insere a liberdade pessoal, que todo o indivíduo tem, a de dispor de seu corpo para a entrega ou a recusa de outro corpo.
        A atração sexual não suprime tal intervenção livre. Pode torná-la inerte, passiva, submissa. Mas, extinto o flash do deslumbramento sexual, ou se quiserem, do encontro físico, os dois seres que se invadiram um ao outro, recuperam imediatamente a própria liberdade, e se esta não foi doada, isto é, se não houve um consenso amplo e decisivo, ficam no indivíduo oas detritos de um ato que não se completou.
        A moça do Cairo, ao expor, com aparente falta de decoro, os seus membros apetecíveis, deu a entender algo do que se oculta no ato sexual. A necessidade de não submetê-lo à manipulação do instinto, mas a de dar-lhe a possibilidade de tornar o instinto partner de um ato mais íntimo e duradouro: o de uma relação que tem seus motores no sexo, mas suas asas em pleno ar, talvez até no ar rarefeito que existe no céu quando a aeronave voa a dez mil metros de altitude, no ar da ar da liberdade espiritual, que não pode ser aprisionada, porque o ar só pode ser respirado, e só pode servir a um objeto mais pesado do que ele, como sustentação quando os motores impulsionam o objeto até atingir certa velocidade que, por sua vez, está sujeita às leis severíssimas da Aerodinâmica.
        E dizer que a permissividade moderna e pós-moderna propagou, por aí, e convenceu disso boa parte dos jovens, de que basta estirar-se numa cama, e transar, para saber o que é uma mulher!
        Oh santa ingenuidade – se isso não acarretasse tantas catástrofes aéreas de Boeings e Airbus!
        É conveniente, pois, perguntar, antes de qualquer vôo erótico, se não existe, de fato, uma aerodinâmica erótica!!
É claro que ela existe.
Procurai-a nos ensinamentos de Buda, de Maomé, e principalmente dos Profetas do Antigo Testamento, e em especial, num único livro, onde a verdade resplandece mais do que nos outros: nos Evangelhos, e nas Cartas do Novo Testamento.
        

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