segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Não gosto de autógrafos, mas adoro leitores!

        Que quer dizer autógrafo?
      Simplesmente: “escrito do próprio autor; assinatura ou grafia autêntica do próprio punho”: - assim o registra o Dicionário Aurélio.
Em palavras mais comuns: autógrafo é aquilo que o povão chama de firma. Quando, num cartório, o escrivão aproxima-se de nós, com sua tradicional cortesia, o que pede ele em nome da Lei?
Pede nossa firma, às vezes reconhecida!
      Creio que todos sabem quem inventou esse hábito – o das tardes de autógrafos - que qualquer autor teme, detesta, deplora.
Foram os Editores! Benditos Editores!
Foram eles que inventaram as Tardes eNoites de Autógrafos, quando a leitura -  como a água do DEMAE, nos depósitos do Moinhos de Vento - baixou tanto que a venda de livros atingiu índices de periculosidade mercantil.
Imaginativos, os editores bolaram essa saída para suas finanças.
Resolveram apelar para a vaidade de uns e de outros: para a vaidade dos autores – a nossa - e para a vaidade de vocês, ó amáveis e in dispensáveis leitores.
Vaidade dos autores? Quem não ama seus dezoito ou vinte segundos de celebridade? Creio que só a comovente modéstia, mesclada com uma cândida dose de modéstia, ou antes, de prazer de estar cercado por admiradores, é que fazia um autor feliz ao dar autógrafos. Este autor era Mario Quintana!
 O Quintana, segundo penso, exultava com isso: como não tinha família, nem filhos, nem, netos, sua verdadeira família eram os leitores!
Quanto à vaidade dos leitores: quem não gosta de estar na companhia de gente pseudo-famosa, ou pelo menos conhecida no seu bairro?
 Quintana, a respeito de dedicatórias, legou-nos duas frases pérfidas:
I.                Sim, o mais triste das dedicatórias são as datas.
(Poesia Completa. RJ, Nova Aguilar, 2005. p. 263).
II.              O mais difícil da arte de escrever é quando temos
de redigir as dedicatórias.
(Ibid. p. 820).
De resto, o Poeta do Caderno H legou-nos outra frase pérfida sobre o tema; não a consegui localizar.
É mais ou menos o seguinte:
       III. Não é conveniente ser prolixo nas dedicatórias. Sempre há tempo de melhorá-las...
       Repito: um dos piores momentos de um escritor é estar à frente de um leitor atento, afetuoso, e se for uma mulher, bonita ou simpática, e não saber o que dizer-lhe.
Escrever o quê? Não conhecendo o leitor ou a leitora, ficamos perplexos.
 Se o conhecêssemos, ou se a conhecêssemos, podíamos ser gentis, fazer-lhe um cumprimento gentil, até um inofensivo piropo verbal...
       Sabem o que me aconteceu com o grande escritor alemão, Hans Magnus Enzensberger?
Estava eu no Instituto Goethe da capital, e o Diretor do Instituto me apresentou ao escritor, informando-o de que eu tinha ajudado o Kurt Schafer, seu tradutor, a aprimorar a tradução poética de seu livro Eu Falo dos que Não Falam.
O escritor não estava habituado a autógrafos.
Quando o Diretor do Goethe pediu-lhe a gentileza de me dedicar um dos exemplares do livro, Enzensberger não teve dúvida: escreveu na primeira página do exemplar seu próprio nome!
Com certo constrangimento, o Diretor pediu-lhe, mais uma vez, que pusesse uma dedicatória a mim, visto que eu tinha colaborado com Kurt Scharf na re-criação de seus poemas... Sobriamente, Enzenbsgerger atendeu-o, e dessa maneira conseguiu atenuar o rubor de meu rosto...
Ele me havia conhecido pessoalmente, momentos antes...
       Embora não goste de autógrafos, confesso-lhes que adoro conversar com leitores, mesmo os que não me leram. O simples fato de serem leitores leva-me a fraternizar com eles!
       Digo isso porque, no próximo dia 6 de novembro, às 19 horas, estarei no Pavilhão dos Autógrafos da Feira do Livro de porto Alegre, para autografar...uma pequena Antologia de poemas meus, que o editor Fonini, da Editora Pradense, compilou, e publicou num volumezinho jeitoso, a preço acessibilíssimo para estudantes do primeiro grau, do segundo grau, e universitários, e para os leitores em geral, se é que existem esses leitores, em se tratando de um poeta.
Venham, vocês que desejarem conversar comigo!
Depois dos autógrafos, estarei à disposição de vocês para conversarmos sobre literatura e outros temas. Até estarei disposto a contar alguma piada inteligente! Por exemplo, a de Churchill e a Lady Astor...
Poderemos – se houver lugar – assentar-nos na Praça da Alimentação, e bater um papo descompromissado, fraternal, sobre nossos autores preferidos.
Durante a Feira do Livro estarei, sobretudo à tarde, após as 16 horas, ao dispor dos leitores que queiram conversar.
A Feira do livro oferece essa possibilidade: a de conhecer-nos.

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