quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Meredith Kercher e Amanda Knox: Morte e Vida Midiatica Em Perugia

I.
      Não, meus leitores, não tenho nas mãos a chave de solução do clamoroso caso de polícia de Perugia, cujo veredito, absolvendo Amanda Knox e Rafael Sollecito, acaba de ser pronunciado!
Amanda está livre, foi recepcionada como uma cantora internacional de rock em Seattle! O italiano Sollecito não recebeu tantos aplausos, nem tanta luz artificial sobre sua cabeça, mas enfim, também saiu para festejar.
         Debaixo da terra, um cadáver: o de Meredith.
         Condenado a16 anos de reclusão, um negro ivoriano, Rudy Guede, acusado de ser o executante principal.
 Misterioso africano! Enigmático africano!
Até o Premier italiano, que carrega nas costas arrobas de processos, valeu-se da ocasião para censurar os magistrados.
         O mundo inteiropasmado – e chocado - com tanta mídia!
Tem-se a impressão de que se joga com a vida das pessoas, e se encena uma farsa sobre o prometido JuízoUniversal, cenograficamente pré-apresentado por um dos maiores artistas italianos: Miguel Ângelo. Diante desse afresco monumental é que são eleitos os Sumos Pontífices do Catolicismo!
         Todos temos a sensação de que nos deram a beber fel e vinagre, acompanhdos de uma boa dose de alucinógenos - dos que, talvez, sobraram da orgia no apartamento dea Via Pergola.
Paira no ar uma atmosfera psicodélica. De show e mentira, de Hollywood e Auschwitz.
         -Vergonha, vergonha – bradam os populares, tentando agredir os juízes.
         O Presidente do tribunal, togado, surge diante das câmeras, e profere palavras solenes, trescalando odor de assepsia hospitalar.
         Os policiais, de cara no chão, parecem cães  a quem outros cães arrebataram um osso.
Jornalistas e paparazzi zanzam, de um lado para o outro como se assistissem à reedição, com efeitos especiais, de um Processo Dreyfus de saias.
         Digo que me surpreendo com a informação que acaboa de me chegar: já se publicaram 11 livros sobre o Affaire.
Informam-nos que os técnicos periciais fizeram testes científicos – posto que contraditórios – os quais não ofereceram nenhuma pista.
         Debaixo da terra, ou, em forma de cinzas esparsas, a voar, o ex-corpo delicado da moça, dilacerada com 47 cutiladas.
Escrevo este texto por uma única razão: convidar meus amigos a orar pelos assassinos, principalmentes pela vítima.
A orar pelos pais dos assassinos e pelos pais da vítima.
Não sei quem é mais infeliz, se os pais da vítima, se os pais dos acusados absolvidos.
Ou se os pais dos juízes.
E até mesmo, se os pais dos jornalistas que cobrem o processo...
 Sócrates dizia, no século IV antes de Cristo, que os delinquentes são os piores inimigos de si mesmos.
Depois da prece, que deve continuar indefinidamente, peçamos, às autoridades deste plaaneta que, em nome, dos Direitos Animais, e depois, dos Direitos Humanos, não se zombe de nós.
Se possível, que as absolvições sejam realizadas com maior discrição, e que controle o acesso da mídia - mas não o de testemunhas qualificadas - ao desenrolar dos processos.
Que a vergonha volte a ter sua cadeira cativa no meio de nós.

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