segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Duas Mulheres: Marlene Aspis e Maria Helena Torres.

        Raramente tenho falado em meu blog sobre essas criaturas maravilhosas, atuantes em nosso mundo convulsionado, e que inexistem para a mídia!
Refiro-me a pessoas em carne e osso, pessoas concretíssimas, substantivas, transbordantes de vida, as quais, em vez de badalarem nos sets e em outros locais onde os holofotes costumam matar sua fome de sensacionalismo, permanecem ao lado de seus companheiros de vida, de seus filhos e de seus netos, tornando este mundo mais habitável e vivível, e sobretudo, mais humano.
Falo de duas mulheres: uma delas – hélas! – já partiu para aquelas terras sem geografia, que o poeta Francis Jammes denominava “as terras do bom Deus”, ou seja, o estado provisório em que as almas humanas subsistem, antes da prometida Ressurreição dos Corpos.
Chamava-se Marlene Aspis.
Deram seu nome a uma Biblioteca, a do Gravatal, cidade onde viveu seus últimos anos. Seu marido é o Abraão Aspis, um dos indivíduos mais autenticamente comprometidos com a Cultura Gaúcha que conheço. Durante anos, esse engenheiro foi assessor cultural da Petrobrás, em Canoas. e no que lhe foi possível, l
Persuadiu a Estatal a favorecer a Literatura e outras artes, mediante subsídios sempre corretamente aplicados, sem que jamais se tenha levantado a menor suspeita sobre tua atuação,  em termos de destinação das verbas.
Marlene...
como te recordarei, querida amiga?
Éramos amigos por tabela, uma vez que, primeiramente, fui durante anos amigo e confidente de teu marido.
A seguir, uma série de encontros fortuitos nos aproximaram, e eu pude, sobretudo durante um carreteiro famoso, que preparaste para nós, o Taylor Diniz, o Arnaldo Campos, o Cimenti e eu, no teu próprio apartamento.
 Mas não é do carreteiro que tenho saudades, eu que sou um fã absoluto desse prato gaúcho! É de ti, mulher simples, de uma finura congênita, anfitriã das melhores que já pisaram a vastidão
deste Pampa.
É maravilhoso poder a gente ouvir, de alguém, que fala com sinceridade, uma confissão como esta:
- Eu respeitava e amava esta criatura! Transbordante de carinho, sem pose, de uma lealdade comovente!
Lembra-te, Marlene, de nosso papo pré-carreteiro? Foi então que te conheci mais profundamente.
Na ocasião, conversamos relativamente durante breve tempo, mas há conversas de um minuto que duram uma eternidade, e conversas cotidianas, prolongadas que se desfazem no ar como balõezinhos de espuma soprados num canudinho por uma criança.
Obrigado por me teres confirmado numa persuasão íntima: existem mulheres, tão belas no seu anonimato, tão discretamente cativantes, não só por seu físico, mas dez vezes mais por suas qualidades de alma, que tornam este mundo imooredouro, ao menos na meória de nós, seres efêmeros.
Guardarei sempre a lembrança um tanto diáfana de tua pessoa, mas principalmente a lembrança indelével e concretíssima de tua bondade, de tua singeleza psíquica, de tua comunicação sem artifícios, ao mesmo tempo materna e de um frescor primaveril de menina-moça!
Falar da outra mulher, a que me referi no início deste texto, é repetir muito do que já disse.
Quero dizer algumas palavras sobre a Maria Helena, que não é gaúcha, mas paulista. Refiro-me à mulher extraordionária do Waldemar Torres, o paulistano que decidiu acampar nestes pagos.
Definir Maria Helena?
Primeiramente, é ilusória qualquer definição de uma pessoa. Há um mistério em cada pessoa, um mistério de luz (quando são boas), e um mistério de trevas (quando são infelizes e más).
Más?
Não tenho certeza de que exista maldade humana em estado químico.
 Prefiro fiar-me em Sócrates, o Mestre da Grécia que dizia:

 - O homem mau (não dotado de filantropia) é algoz de si mesmo.

Digamos que existem pessoas que são tão infelizes que chegam a ser más!
Maria Helena é a bondade em estado puro. Possui, por assim dizer, uma bondade laboratorial. Se resolvessem fazer nela um teste “glicogênico” de bondade, teríamos uma amostra do que existe de melhor no coração de uma mulher, de uma mãe, de uma esposa, porque Maria Helena é tudo isso.
 Não serei indiscreto revelando os porquês de tão convicta afirmação.
Creiam-me, ó incrédulos!
Enquanto Maria Helena existir, afirmarei de pés juntos que nem todas as atrocidades do Planeta me convencerão de que o homem não foi vocacionado para a bondade!
Se vocês desejarem conhecer Maria Helena, guardem a seguinte dica:
- No dia em que vocês encontrarem na Rua da praia, ouno Bairro em que ela reside, uma mulher com um sorriso sem malícia, límpido e luminoso, que vos faça evocar, por sua despretensão e modéstia, o da Beatriz de Dante na Divina Comédia, perguntem-lhe o nome!   

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