terça-feira, 28 de junho de 2011

Turismo na Europa: por que não conhecer a Arte Moderna com o Prof. Paulo Gomes?

A Arte Moderna, chamemos-lhe assim, familiarmente - entendendo por essa expressão a Arte que se impôs na inteligentzia e nos meios de comumnicação do mundo ocidental, a partir de uma data: a do surgimento dos Ismos: (antes não os havia; existiam  Modos Artísticos, ou Estilos de Época, que eram genericamente denominadas Artes: por exemplo, a Arte Medieval, a Arte Renascentista, a Arte Barroca.
Os primeiros Ismos principiaram com o Neoclassicismo, movimento dominante na arte e na arquitetura européia no final do século XVIII e princípios do século XIX, que foi afetado pelas descobertas da Antiguidade Clássica, e que reagiu às frivolidades do Estilo Rococó. A figura exponencial desse movimento foi Jacques Louis David (1748-1825). A esse ISMO sucederam outros, como o Romantismo,do qual, como dizem os experts, é impossível “dar uma definição unívoca”, porém a sua base última consistiu na valorização da experiência individual. Nele brilharam Blake, Turner, Delacroix, Géricault e Goya, um quinteto maravilhoso. Veio, logo depois, O Realismo, corrente praticamente francesa, cujo projeto estético era representar a realidade como ela é, cujo líder foi a figura ímpar de Gustave Courbet (1819-1877). Ao Realismo sucedeu o Simbolismo, movimento artístico sem organização específica, que floresceu entre 1880 e 1890, relacionado estreitamente com a poesia de Jean Moréas (1856-1910) e de Baudelaire (1821-1867), bem como com a música de Debussy (1862-1918).
Podemos afirmar que, a esses ISMOS se acrescentaram inúmeros outros, numa espécie de efeito cascata, ismos que vieram desembocar, na falta de outro estuário, nessa exótica denominação que obteve, durante alguns 17 segundos de nomeada, certa atenção dos curiosos: o Pós-Modernismo,que tem a originalidade de se chamar assim – o que seria o mesmo que chamar a um ressuscitado artificial de pós-morto. Denominação que, até hoje, não consegui enquadrar dentro de nenhuma definição precisa, aceita pelos historiadores da Arte.
A Arte Moderna – insisto - foi durante dois séculos elevada à Glória de Bernini, e como todos os pseudo -santos, ou se quiserem, os santos-de-pau-oco que lá estiveram, teve de descer vergonhosamente dessas alturas, porque, à medida que o tempo corria, ela - a Arte Moderna começou a corar de estar nua, além de -  encontrar cada vez menos devotos aos seus pés.
Inicialmente encontrou devotos fanáticos, que lhe foram fiéis como o são todos os fanáticos: enquanto não se lhes esfumava a doidice!
A seguir, encontrou certo número de devotos sinceros.
Mais tarde, topou com devotos, desejosos de crer nela, porém cheios de dúvidas. Chamemos-lhes devotos perplexos.
Finalmente, foi abraçada pelo grande público, como um político de fama é abraçado numa praça galvanizada pelo delírio ideológico.
O próprio político chega a crer no seu carisma!
Daí a algum tempo, ele é rebaixado ao grau de demagogo.
Com o passar do tempo, chega a hora fatídica em que é esquecido como uma boneca num banco de praça, simplesmente porque sua dona, uma menininha, viu passar perto um carrinho de sorvetes.
Houve época – e quando penso nela fico aturdido – em que se falava de Picasso como se ele fosse professor de Giotto e de Caravaggio! E até (pasmai!) como se ele tivesse inventado a pintura...
Picasso obriga-me, neste momento, a falar de Alexandre Magno, o Conquistador. Este, por sua vez, remete-me à cela de meu querido clássico, o Padre Manuel Bernardes.
Vou transcrever-lhes uma deliciosíssima passagem da Nova Floresta:
- Havendo Alexandre Magno perguntado a uns filósofos de grande nome várias questões, e ouvido com satisfação e agrado suas discretas respostas, quis premiá-las, e lhes mandou pedissem o que quisessem.
- Pedimos, disseram eles, que nos faças imortais.
- Agora, replicou Alexandre, perco o bom conceito que de vossa sabedoria tinha formado, porque como posso dar o que não tenho?
Inferiram os filósofos:
- Logo, mortal és tu?
- Não o nego, disse o imperador.
-Pois, se és mortal (tornaram eles), para que vives como imortal, conquistando o mundo, afetando seres adorado e seguindo teus antojos e apetites?
Muitos Alexandres houve sempre, cada qual ansioso e ocupado na conquista do seu mundinho: uns quanto às honras, outros quanto aos gostos, outros quanto às riquezas, e todos esquecidos da morte, porque, se entrara este desengano, desapareceram aqueles apetites.(Agostinho de Campos. Manoel Bernardes.2 ed. Volume II.Paris-Lisboa, Livrarias Aillaud e Bertrand. 1921. p. 9-10).
Se Picasso pensava ser um Alexandre Magno da Arte Moderna, ter-lhe-ia feito bem refletir sobre seu modelo de grandeza, o Conquistador macedônio.
Se alguém deduzir das linhas acima que sou um desprezador da Arte Moderna, um zombador dela, saiba que está equivocado. Sou um admirador convicto dos verdadeiros artistas modernos, que são em menor número do que se pensa.
A questão das definições, em nosso mundo contemporâneo, precisa ser reformulada.
Não se pode definir um cisne pelas características de um marreco, e muito menos um leão pelas características de uma jaguatirica. Os bichos definem-se pelas suas qualidades essenciais. A melhor maneira de se definir um leão é por--lhe diante da juba um antílope. A melhor maneira de se definir um peixe é perguntar-lhe se alguma vez nadou.
Talvez necessitemos de definições como as que o povão exigia outrora: pão-pão, queijo-queijo!
Por falar nisso, ultimamente tenho adquirido queijos nos supermercados, forçado a essas compras pela competividade dos preços, e o encolhimento cada vez mais cadavérico de nossos salários.
Infelizmente, quando chego em casa, vejo que me enganei (ou antes, fui enganado). O queijo não é queijo. Pelo menos, não se parece a nenhum queijo comido, por algum personagem rigorosamente histórico, digamos Carlos Magno, que, segundo fui informado por seu biógrafo Eginhard, os apreciava particularmente. Se vocês não forem fãs de Carlos Magno, proponho-lhes Napoleão Bonaparte, e até um dos miseráveis do romance de Victor Hugo.
Os queijos – certos queijos - são queijos espantosamente desqueijados, reduzidos à sua essência nominalista. Provavelmente, tais queijos seriam hoje levados às salas universitárias para serem exibidos aos alunos interessados em Guilherme de Ockham, como exemplos de seu Nominalismo.
Numa explicação curta e grossa, poder-se-ia dizer que, para esse filósofo nascido em 1300, não existia queijo, e sim, um nome: “queijo”, que significava algo que não sabemos bem o que é.
Já naquele tempo!
Ockham, a rigor, não negava a coisa em si, negava que as palavras, com que as designamos, correspondessem à realidade. Segundo uma explicação de um historiador da Filosofia, o seu conceito, o universal não existia como realidade ontológica”. Tais conceitos só existiam na alma do sujeito, não nas coisas”.
Conclui o historiador:
A abstração não passa de uma ficção.
Adorei tal espremedura filosófica, de autoria do um discreto Johannes Hirschberger.
Diz este mesmo historiador:
Só o indivíduo é objeto de conhecimento.
Facilitando as coisas aos leitores:
“Só se pode conhecer um determinado queijo, ou seja,  este queijo.
Não se conhecem queijos em geral.
Estou, naturalmente, caricaturizando a filosofia de Ockham, mas ela – creiam-me, é deveras meio-louca.
Voltemos à Arte Moderna.
De momento, são poucas as pessoas que se dão ao trabalho de obter uma noção clara (ou relativamente clara) do que é Arte Moderna.
Confesso que, a despeito de meus anos de dedicação à História da Arte, não posso dizer que a entendo bem. Entendo-a como Deus é servido.
O termo Arte Moderna recobre um vasto conjunto de realizações artísticas que, todas elas talvez, tenham em comum o fato de se oporem à Arte do Passado. Portanto, em primeiro lugar, a Arte Moderna é uma ruptura com o Passado. Mas não é só isso. É também uma projeção, um esforço para realizar uma arte consentânea com o modo de ser e de vida dos homens após o surgimento da primeira máquina a vapor, e do primeiro aparelho de reprodução de imagens em grande escala, através de meios mecânicos.
Noutros termos, a Arte Moderna é algo que sucedeu à invenção da fotografia, e obrigou os artistas a abandonarem o ar livre, a visão de fora, para se concentrarem na visão de dentro, ou seja, naquilo que os homens possuem de mais íntimo e sigiloso: sua psique, sua memória, sua imaginação, seus sentimentos que Schiller já sabia que não são como as idéias, que podem passar de cabeça em cabeça, sem passarem pelos neurônios de nenhuma delas.
Os sentimentos e emoções são coisas que doem ou encantam, enfim são realidades que, a rigor, só o indivíduo experimenta no seu corpo. O que ele pode fazer é, mediante expressões sensíveis, comunicar aos outros o que ele sente, e com isso confrontar seus “próprios sentimentos” aos “sentimentos alheios”. Não deve causar surpresa que o primeiro Ismo tenha sido o do Romantismo. Que é o Impressionismo se não a valorização da sensação óptica? E que é o Expressionismo senão a valorização do que o indivíduo experimenta dentro de si, e que por isso expressa, fora de si, deformando as imagens dos objetos?
Não me deterei nisso, porque a Arte Moderna é um oceano  - e não um lago – também de experiências técnicas, de usos de materiais, de uso e abuso de mitologias pessoais e coletivas, de invenções malucas, etc.
A melhor maneira de entender a Arte Moderna é confrontá-la com a Arte do Passado.E conhecê-la, de perto, não por reproduções, mas face a face.
Quem conhece a Arte do Passado logo se dá conta de que a Arte Moderna é outra coisa.
Melhor?
Ou pior?
Cada um decida de acordo com seus olhos e seu coração.
Talvez as qualificações de melhor e pior não funcionem. Talvez seja melhor admitir: tratar-se de outra coisa, que pode agradar, emocionar, ou chatear.
       Dito isso, convido as pessoas lúcidas e interessadas a tomarem conhecimento da experiência cultural que o Prof. Paulo Gomes,docente do Instituto de Artes da UFRGS,  está propondo, para setembro pf., com a assistência técnica de uma empresa idônea, a Biarritz Turismo.
Eu mesmo já fiz uma experiência desse genro com a Biarritz, que foi de uma correção, de uma eficiência, e de um atendimento personalizado aos participantes, que eu qualificaria de excepcional
       Sugiro aos leitores interessados que se comuniquem com a Biarritz Turismo, e se informem sobre o ROTEIRO DA VIAGEM, que me pareceu ótima.
O Prof. Paulo Gomes resolveu partir da Cote d’Azur, na Provença, onde existem Museus de grandes sumidades figuras da Arte Moderna, como Matisse, Picasso, Chagal, Cézanne. Daí subir até Paris, onde estão as grandes coleções dos Ismos , do Neoclassicismo de David aos criadores maiores do Romantismo, percorrendo depois as produções realistas, sem esquecer os momentos culminantes do Impressionismo, Expressionismo, etc;  (Van Gogh, Cézanne, Monet, Renoir, Sisley) , e dezenas de outros, até se atingir o Cubismo, e o Abstracionismo, em todas as suas formas (Stravinsky, Kupka, Mondrian, etc. etc), vindo aos Informalismos (Wols, Fautrier, etc), e deles derivando para todos os Experimentalismos, que são uma sorte de cauda do cometa.
O Professor Gomes é um guia seguro, culto e sem pose. A companhia responsável pelo Tour é séria, eficiente, capaz de resolver problemas de viagem.
Só posso dizer aos que me lêem: aproveitem!
Voltarão sabendo mais sobre a Arte Moderna, e terão condições, não só de a apreciarem, mas também de a amarem.

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