quarta-feira, 9 de março de 2011

Retrato Humano da Virgem Maria (III)

Um Dogma Consolador: A Assunção de Maria Virgem

Alguém, recentemente, me perguntou:
- Entre as verdades de fé, relaconadas com a Virgem Maria, quais as verdades que o Sr. mais aprecia?
Respondemos-lhe:
- Em primeiro lugar, a Maternidade Divina, fundamento todas as verdades sobre Maria; a seguir,  o dogma de sua Assunção ao Céus!
O anúncio da proclamação desse dogma, em 1950, desgostou profundamente o conjunto das Igrejas Protestantes, uma vez que – argumentavam os irmãos separados – não se encontra na Sagrada Escritura nenhum testemunho humano a respeito dele, ou porque – como o explicam os especialistas H.-J. Schulz, L. Scheffczyk e G. Voss -: “o evento enquanto tal, ao contrário da Ressurreição de Cristo (...) não estava relacionado com nenhuma aparição exterior, nem, foi experimentado por testemunhas humanas. Em vez disso, a consciência da fé da Igreja, guiada pelo Espírito Santo, a experimentou espiritualmente, ou a deduziu da íntima conexão entre o mistério de Cristo e o mistério de Maria”. (VV. AA. O Culto a Maria Hoje. São Paulo, Edições Paulinas, 1979. p. 162).
Acrescentamos ao texto desses especialistas quatro considerações:
O dogma católico da Assunção de Maria confere peso a uma expressão do poeta inglês,  Coventry Patmore,: Só Maria nos salva de um Deus abstrato.(Cit. por Fulton J. Sheen. O Primeiro Amor do Mundo. p. 92).
O dogma da Assunção responde, de alguma forma, à observação de Nataniel Hawthorne: Invejei sempre aos católicos essa doce Santa Virgem, que está entre eles e a Divindade, interceptando, de algum modo, o Seu terrível esplendor, mas permitindo ao Seu amor que se derrame, como um rio, sobre os adoradores, de maneira mais compreensiva à natureza humana pela ternura de uma mulher.(Cit. Ibid. p. 296).
A Assunção de Maria compromete-nos mais do que outras verdades da mesma natureza, pois a Ressurreição de Cristo é afirmação vigorosa de sua Divindade, ao passo que a ressurreição corporal antecipada de Maria é afirmação vigorosa de nossa própria ressurreição, a ressurreição prometida a cada um dos fiéis.
O dogma da Assunção de Maria, por último, é reafirmação indireta da tese fundamental da filosofia e da teologia cristãs, defendida ardorosamente por São Tomás de Aquino, que pode ser sintetizada assim: A salvação diz respeito ao o homem inteiro: corpo e alma. A união definitiva, espiritual e corporal do homem com Cristo glorioso, e Nele com a Trindade, é a fase final e eterna da Redenção. Que Maria, conforme o dogma, não precise, como nós, esperar até o fim dos tempos, para gozar da redenção corporal, é mais uma marca do carácter único de seu sublime resgate”.(E. Schillebeeckx. Maria, Mãe da Redenção. 2 ed. Petrópolis, Editora Vozes, 1968. p. 56-57).
Tenho, enfim, especial carinho à Assunção de Maria porque ela é a resposta mais deslumbrante que conheço ao desolado Cântico de Ezequias (Is 38, 10-14;17-20):
-  Eu disse:
em meio da vida vou descer às portas da morte, privado do resto dos meus anos.
Eu disse:
não mais verei o Senhor na terra dos vivos, não verei mais ninguém entre os habitantes do mundo.
Para longe de mim foi arrancada a minha morada,
como tenda de pastores.
Como tecelão eu tecia a minha vida,
mas cortaram-me a trama.

Dia e noite sou consumido
e  grito ao amanhecer.
Como um leão que dilacera os meus ossos,
assim sou consumido dia e noite.

Grito como a andorinha
e gemo como a pomba.
(...)
Nem a morada dos mortos Vos louvará,
nem a morte Vos dará glória.
Para quem desce ao túmulo,
acaba a esperança na vossa fidelidade.
 Só os vivos podem louvar-Vos,
como eu Vos louvo hoje.

Esse cântico foi escrito antes de Israel acreditar na ressurreição. Não é assim que um cristão acredita. No centro da nossa fé está o Cristo Ressuscitado – e também a ressurreição de Maria. Por isso, é preciso adicionar às palavras enérgicas de São Paulo:
- Em Cristo brilhou para nós a esperança na feliz ressurreição ( Rom 8, 11)
o  seguinte adendo:
- Em Cristo – e na Virgem Maria - brilhou para nós a esperança na feliz ressurreição.
Nunca entendi por que os irmãos protestantes se indignaram tanto contra Pio XII por ele ter proclamado o dogma da Assunção da Virgem Maria. Que os protestantes não o aprovassem, compreende-se. Têm suas razões para isso. Mas, que não tornassem a pensar no assunto? É de se deplorar. O assunto, no fundo, é o seguinte, que exponho em linguagem ordinária:
 Jesus ressuscitou.
É a verdade básica do Cristianismo. Essa verdade, de certa maneira, é simétrica à verdade sobre a sua Divindade. O Verbo Eterno, isto é, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, tornou-se verdadeiro homem, porém permanecendo uma Única Pessoa, o Verbo Eterno.
Maria Virgem ressuscitou também, porém antes de ressuscitarem os demais homens, e foi elevada aos Céus em corpo e alma.
Expliquemo-nos:
 Se Jesus permanece o único ressuscitado – Ele que é Homem (sem dúvida), mas que também é Deus, sem nunca ter havido nenhum curto-circuito entre as duas naturezas, uma vez que a Pessoa do Verbo sempre esteve presente até na morte de Jesus, razão pela qual, na Sexta-feira Santa, os fiéis adoram o corpo morto de Jesus. São Tomás de Aquino, na sua explicação do Credo, escreve:
(...) a morte de Cristo consistiu na separação entre sua alma e seu corpo, como acontece na morte de qualquer homem. A Divindade, porém, estava tão indissoluvelmente unida ao homem Jesus que, por mais que sua alma e seu corpo se separassem entre si, continuou ligada ao seu corpo e à sua alma, de forma perfeitíssima.(O Credo. 2 ed.Trad. de Armindo Trevisan. Petrópolis, Editora Vozes, 2006. p.59).
Sem a ressurreição de Maria, não teríamos, na Vida Eterna prometida por Jesus, nenhum exemplo de um ressuscitado totalmente humano, ou seja, nenhuma criatura salva por Cristo, já que evidentemente não se pode incluir entre os ressuscitados salvos o próprio Salvador!
Perguntamos, então: por que tanto retraimento por parte dos irmãos separados em relação à ressurreição de Maria? Afinal ,ela é a única amostra de salvação total, de êxito completo, de coroamento da ação redentora de Jesus. Reiteramos: Jesus não pode ser incluído entre os que receberam a famosa gota – ou gotas – de seu Sangue Redentor, a que alude Blaise Pascal nos seus Pensamentos.
É consolador,pois, para nós, que estamos neste mundo saber que UM DE NÓS já está no outro mundo em glória completa!
Recorramos a Lutero. Na sua explicação do CREDO, ele diz:
- (...)  na terra (o Espírito Santo) principia a santidade e diariamente a faz crescer mediante as duas partes, a saber, a igreja cristã e a remissão dos pecados. Mas quando nos desfizermos em pó, ele completará sua obra, integralmente, num só instante, e a manterá eternamente pelas últimas duas partes”.(Livro de Concórdia.  Catecismo maior. Segunda Parte. Terceiro artigo. 5 ed. Tradução e notas de Arnaldo Schüler. São Leopoldo, Editora Sinodal, 1997. p.455).
Recorramos ao teólogo Emil Brunner (1889-1966):
- A morte põe termo a esta vida. Todos nós havemos de morrer um dia. Ninguém sabe se a sua hora não virá amanhã. Também a humanidade toda provavelmente morrerá. Sem a fé isso significa: “Tudo está no fim”. A Fé, entretanto, afirma: “O fim é a Vida Eterna”. Mas será certo que a fé tem razão? Pode-se saber isso com certeza? Não seria, apenas, uma suposição? Se esta pergunta aparecer - e como não haveria de surgir? – teremos que decidir entre a fé e a incredulidade. A fé é a certeza de que o Onipotente nos revelou, de fato, a sua vontade em Jesus Cristo. Essa vontade é a Vida Eterna. Não sabemos como  Ele realizará essa sua vontade. (Nossa Fé. 3 ed.Tradução  de  Helberto Michel.São Leopoldo, Editora Sinodal, 1978.p.122-123).
Recorramos, finalmente, a Karl Barth, outro teólogo protestante:
- Em Jesus Cristo eu sou resgatado da morte, em Jesus Cristo nosso corpo já está no Céu (Questão 49 do Catecismo de Heidelberg).(Esquisse d’une Dogmatique.Traduit de l’allemand par E. Mauris et F. Ryser.Paris, Delachau et Niestlé, 1968. p. 253).
Nosso corpo já está no Céu: indubitavelmente, o corpo de Jesus é também o nosso corpo, pois nós somos o corpo místico de Cristo. Mas o corpo de Jesus é um corpo unido indissoluvelmente à Pessoa do Verbo, ao passo que o corpo de Maria – e o nosso, obviamente – não o são. Por isso, a Assunção de Maria significa a vitória de Cristo sobre a morte aplicada a todos os corpos.
Penso que nossos irmãos separados teriam aí razões de sobra para se alegrarem. Afinal, trata-se da nossa causa, a da humanidade pecadora, salva pela humanidade de Jesus, que nunca foi pecadora.
O caso de Maria é outro: seu corpo também foi santo desde o início, porém ela necessitou de redenção, como o último dos pecadores. Foi preservada do pecado. Não fosse a magnificência de Deus, o pecado original teria atingido, também, a Virgem Maria.
O dogma da Assunção de Maria, portanto, deveria ter mais conseqüências práticas para os católicos. Numa época de permissividade sexual, de busca frenética, delirante até, de todas as formas de prazer, a meditação sobre as palavras de Jesus - esquecidas com tanta leviandade pela comunidade católica que mereceria ser chamada, às vezes, de saducéia - estala como uma bomba na consciência dos fiéis. Deveríamos, primeiramente, começar pela objeção dos 7 irmãos que se casaram com a mesma mulher. Objeção, até certo ponto, engraçada, se não levássemos em conta que os saduceus históricos estavam à presença do Verbo Encarnado, e que a questão nada tinha de trocista. É referida por Mateus, no capítulo 22, 23-33, de seu Evangelho.
Dizem os saduceus:
- De quem será a mulher na ressurreição, pois os sete irmãos a tiveram
Responde-lhes Jesus:
- Estais enganados, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. Na ressurreição nem eles se casam, nem elas se dão em casamento, mas serão como os anjos nos céus.
A expressão de Jesus, num mundo saduceu como o nosso, corre o risco de ser ridicularizada. Como os anjos no céu? Que conceito muitos católicos fazem dos Anjos? Não será o mesmo que o da canção francesa que ouvi, na década de Sessenta, em que o autor da letra motejava dos anjos,como se fossem duendes, ou seres diáfanos a serviço dos tolos...
É urgente repensar o dogma Assunção. Esse dogma não passou, para boa parte dos católicos, de uma “ducha teológica” dos Anos 50...


Nossa Senhora: A Grande Amiga da Humanidade

Li, certa vez, a seguinte quadra, cujo autor desconheço:
Nada começa e nada termina
que não se pague com pranto:
nascemos das dores dos outros,
e morremos das nossas.
Lembrei-me dessa quadra, há poucos dias, ao regressar de um velório.
Perder um amigo é acontecimento sem réplica. Irrepetível. Não porque a morte não se repita, mas porque nenhum amigo pode ser clonado.
Talvez o leitor conheça aqueles versos imortais de John Keats (1795-1821):
Tudo o que é belo é uma alegria para sempre:
o seu encanto cresce; não cairá no nada.
 (Poemas de John Keats. “Endimião”. Trad. de Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo, Art Editora, 1987. p.77).
Também me lembrei disso, ao tentar, com essa nova tentativa, esboçar o retrato humano da Virgem Maria.
 Cada amigo é uma alegria para sempre! Espero em Deus que o seu encanto não cairá no nada.
Desejaria ampliar minhas considerações sobre a humanidade da Virgem Maria insistindo num ponto, que tem sido pouco valorizado pelos seus devotos.
Expresso-o numa frase direta, porém cheia de significação:
- Maria é a nossa melhor Amiga!
A mentalidade católica tornou-se, com o decorrer do tempo, tão distraída – e tão amarrada aos convencionalismos de uma espiritualidade formal, que já não é capaz de recordar as palavras de Jesus, dirigidas aos seus Apóstolos:
- Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor, mas vos chamei amigos, pois  vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai.(João 15,15).
Se Jesus chamou aos seus apóstolos de amigos, por que não podemos chamar a Virgem Maria, nossa irmã de redenção, de Amiga?
No que me diz respeito, ela é a nossa maior amiga. A amiga imperdível, porque glorificada em corpo e alma nos Céus, para onde irá, um dia, novamente corporificada, a Humanidade. É à Maria, a humilde de Nazaré, que devemos aplicar os versos de Keats: uma alegria para sempre!
Enquanto permanecermos numa devoção abstrata, a Mãe de Jesus será para nós uma realidade dogmática, sem dúvida, porém semelhante a uma fórmula química, como a da água: H20, que ninguém, em bom juízo, se lembra de pedir a alguém para no-la oferecer, quando estamos com os lávbios rachando de sede...
É por isso que não cesso de refletir sobre o dogma da Assunção,que assustou tanto nossos irmãos protestantes, e que, apesar de já terem transcorridos sessenta e um anos de sua proclamação, os católicos continuam a admiti-lo, mas não a vivenciá-lo,num mundo como o nosso, no qual o consumismo e a luxúria dominam a sociedade, a ponto de lhe tirarem a lucidez. Tais ilusões poderão ser neutralizadas se a humanidade de Jesus - e a humanidade mais próxima de Maria - voltarem a significar alguma coisa para a vivência católica.
Um escritor católico, George Bernanos (1888-1948), no seu romance Diário de um Pároco de Aldeia, conseguiu, num instante de fulgurante insigth, dar-nos uma idéia real dessa verdade:
- Você reza a Nossa Senhora?
- Oh, certamente!
- Você diz isso...Mas será que você reza como é necessário, será que você implora, como deve ser, a proteção de Nossa Senhora: Ela é nossa mãe, não se pode duvidar.É a mãe do gênero humano, a nova Eva. Mas é também sua filha.(...) O olhar da Virgem é o único olhar verdadeiramente infantil, o único olhar de criança que jamais se fixou em nossa vergonha, em nossa desgraça.(...) o olhar dela é o olhar da terna compaixão, da dolorosa surpresa, de não sei que outro sentimento inconcebível, inexprimível, que a faz mais jovem que o pecado, mais jovem que a raça da qual ela mesma procede; e ainda que seja Mãe pela graça, mãe das graças, ela é também a caçula do gênero humano.(Diário de um Pároco de Aldeia. 4 edição. Trad. de Edgar G. da Mata Machado. Rio de janeiro, Editora Agir, 1964. p. 149-151. Com leves modificações na tradução).
Trechos, como os de Bernanos, repropõem outro olhar sobre a Virgem Maria. Outro tipo de devoção, mais íntimo e adequado ao nosso tempo, que suprime as formalidades desnecessárias, os clichês de uma devoção, que foi autêntica no passado, mas que não corresponde mais à sensibilidade contemporânea.
Prestemos bem atenção ao passado!
Existem, embutidas nele, formas contemporâneas de reflexão e oração, que foram desperdiçadas ao longo dos séculos, ou para as quais nunca atentamos. Dom Estêvão Bettencourt, o sábio beneditino do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro, desenterrou um desses tesouros da liturgia cristã, do qual provavelmente ninguém se lembra, uma oração da Liturgia Galicana, que impressiona pela sua atualidade:
- Ó Deus, não quisestes que perecesse o grande edifício deste mundo, que criaste pelo vosso simples império; por isso edificastes para Vós uma habitação no seio da Virgem, e a fim de que não perecessem os homens por Vós plasmados, revelastes através dos séculos mistérios inauditos, a saber, que Aquele que as dimensões do céus não podem conter, se encerraria no exíguo seio de uma jovem. Nós Vos rogamos, suplicantes, que pela intercessão da Bem-Aventurada Maria Vossa Mãe, façais obter a vitória sobre a ambição do século àqueles de quem e em favor dos quais, tomastes um corpo mortal (...)(Cit. em: Artigos Publicados na Revista Gregoriana – 1953-1956. Rio de Janeiro, Instituto Pio X, 1956. p.137).
Ressalta-se, nessa bela oração, a dimensão humana da Virgem, a insistência no valor de seu corpo mortal, que Deus não permitiu que fosse sujeito à corrupção.
O dogma da Assunção faz resplandecer tal verdade. E faz resplandecer, com igual brilho, a conexão que existe entre o corpo de Maria e o nosso corpo, entre o corpo de Maria e o Corpus Cosmicum, isto é, o corpo do Universo, do qual nosso planeta Terra faz parte.
É possível que não tenhamos, ainda, nos apercebido de todas as implicações, que essa verdade de fé  contém no seu bojo: a notícia incrível de que o próprio Mundo em que vivemos , o Planeta Terra, está destinado eventualmente a ser salvo, a ser transfigurado pelos méritos da Encarnação de Jesus.
Não estamos apelando para nenhum tipo de Ficção Teológica!
 Os Padres Gregos pensaram nisso, há muito tempo. Olhem o que um grande teólogo ortodoxo escreveu a respeito:
- (...) o universo é um único corpo.
Tudo existe, uma coisa implicada na outra (diz São Gregório Nisseno), e tudo se mantém mutuamente, pois uma força transmutadora, numa espécie de rotação, faz passar sem cessar os elementos terrestres uns nos outros, para obrigá-los a voltar ao seu ponto de partida.(...) Na sua condição mortal, depois do pecado, a natureza espiritual  guarda certo vínculo com os elementos desunidos do corpo, que saberá reencontrar, no momento da Ressurreição, a fim de que sejam transformados em “corpo espiritual”, o verdadeiro corpo, diferente da nossa corporeidade tosca,”uma espécie de vestidura de pele” que Deus fez para Adão e Eva depois do pecado. (Vladimir Lossky. Teología Mística de La Iglesia de Oriente. Barcelona, Editorial Herder, 1982. p.76-77).
Lossky complementa:
-O universo inteiro está chamado a entrar na Igreja, a converter-se na Igreja de Cristo, para ser transformado, após a consumação dos séculos, no Reino Eterno de Deus. Criado a partir do nada, o mundo se completa na Igreja, na qual a criatura adquire um fundamento indestrutível, ao cumprir sua vocação.(Ibid. p.83).
O retrato humano da Virgem Maria só pode ser realizado se a considerarmos a nossa Amiga por excelência.
Santo Agostinho, entre os grandes Doutores da Igreja, foi um dos pensadores cristãos que mais compreendeu a amizade.
Sobre Agostinho escreveu seu melhor biógrafo contemporâneo:
– Ao ler a biografia desse homem extremamente introspectivo, de repente percebemos, para nossa surpresa, que ela quase nunca ficou sozinho. Sempre esteve cercado de amigos. Aprendeu a falar “em meio ao carinho das amas, entre os gracejos de rostos sorridentes e o bom humor dos colegas de folguedos. Só um amigo era capaz de fazê-lo perder “metade de minha alma”, e somente uma nova amizade podia curar essa ferida.(Peter Brown.Santo Agostinho. Uma Biografia. Rio de Janeiro, Editora Record, 2005. P. 217. Ver também: Ibid. p.241-244).
Talvez Santo Agostinho nos faça muita falta, neste momento, para reensinar-nos  a arte da amizade.
Praticando-a, poderemos entender por que Jesus chamou aos apóstolos seus amigos, e porque a Virgem  Maria é a maior amiga de todo homem,uma vez que todos os homens foram remidos por seu Filho Jesus.

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