quinta-feira, 31 de março de 2011

Breves Consideraçõe sobre a Guerra

Os ônibus de hoje passaram a substituir as varandas do passado e, até mesmo, as cadeiras de antigos saraus na frente de residências interioranas.
Nos transportes coletivos, em especial, as pessoas falam como se estivessem na privacidade de seus lares. O passageiro, que se encontra ao lado de outros passageiros, não tem como deixar de escutar o que se diz.
Assim tomamos conhecimento de como algumas pessoas encaram os atuais conflitos, que são realçados pelas manchetes dos jornais.   
Em vista disso, julgamos oportuno consultar autores especializados na matéria, como Werner Schöllgen, pensador católico alemão. Seu livro: Ética Concreta (Trad. de Daniel Ruiz Bueno. Barcelona, Editorial Herder, 1964) pode conduzir-nos a uma reflexão precisa sobre o tema:

1.                 O Cristianismo tem “a obrigação de trabalhar autêntica e seriamente pela paz”.  O Apóstolo São Paulo na sua Carta aos Romanos 12, 17-18, escreve: “A ninguém pagueis o mal com o mal; seja vossa preocupação fazer o que é bem para todos os homens, procurando, se possível, viver em paz com todos, no que depende de vós”. Schölgen nota que São Paulo, logo a seguir, levanta uma hipótese: o que aconteceria se não fosse possível viver em paz? É interessante notar que o Apóstolo não propõe como solução a auto-imolação dos cristãos, o martírio, diante de uma situação de conflito insuperável. A ninguém, segundo ele, é lícito renunciar ao próprio pão, de maneira a arrastar os coirmãos à morte pela fome.
2.                 Por um lado, pois, o Apóstolo Paulo rejeita a solução mosaica da pena-de-talião: “Olho por olho, dente por dente”, não admitindo a vingança privada, no caso de homicídio. Por outro lado, o Apóstolo propõe transferir ao poder jurídico objetivo do Estado a alta função moral de “ser guardiã do direito”, de premiar os bons e reprimir os maus: “Todo homem deve submeter-se às autoridades constituídas, dado que não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. Aquele que se revolta contra a autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus. E os que se opõem atrairão sobre si a condenação. Os que governam metem medo quando se pratica o mal, não quando se faz o bem. (...) Se praticares o mal, teme, porque não é à-toa que (a autoridade) traz a espada: ela é instrumento de Deus, para fazer justiça e punir quem pratica o mal. É necessário submeter-se não somente por temor ao castigo, mas também por dever de consciência”. (Ibid. 13,1-5).

3. Schöllgen adverte que São Paulo está consciente “dos abismos do homem e do poder do mal” que os cristãos (que pleiteiam certo tipo de pacifismo) parecem ignorar. Diz o autor: é preciso considerar: “a extrema brutalidade da guerra pagã” nos tempos do Apóstolo. Para os pagãos, “a guerra era um meio natural para adquirir poder e riqueza”. Schöllgen cita Aristóteles para quem “a arte da guerra” era uma arte natural, como a caça para os animais, e menciona Nietzsche que dizia: “Vós dizeis que a boa causa justifica inclusive a guerra? Pois eu vos digo que a boa guerra justifica qualquer causa”. (Cit. in: Ética Concreta. p. 213). O autor adverte que o Novo Testamento foi escrito quando a mentalidade pagã sobre a guerra vigorava em toda a parte. Ora, a mensagem de São Paulo, que põe em primeiro plano a caridade, isto é, o mandamento novo de Jesus, opunha-se a tal mentalidade. Os inocentes, quando confrontados com uma necessidade extrema, deveriam ser protegidos pelas autoridades.

4. A mensagem cristã não é receita “de êxito garantido”. É um fermento num processo histórico, que obrigou os cristãos, ao longo da História, a modificar os costumes da Humanidade, abolindo a poligamia, a escravatura e a exploração colonial.  A mensagem cristã não professa - de modo absoluto - a não-violência, como o pretendem certos grupos. O grande problema, diz Schöllgen, é preservar a população civil, que não dispõe, como as forças do exército, de meios de defesa, nem de formação especializada.

5. Não há dúvida, continua o autor, que todo cristão deve trabalhar pela paz concreta, associando-se aos que buscam uma solução negociada. O que não é nada fácil – acrescenta - visto que a guerra é “o efeito final de uma multidão de causas particulares”.
(Ética Concreta. p. 215).

6 Portanto, a legítima defesa dos inocentes obriga a resistir à agressão e à opressão. De qualquer modo, a guerra não poderá ser pagã, isto é, uma guerra de conquista “como meio de enriquecimento e poder”. (Ib. p. 216).

7. Em vista disso, a Igreja Católica persegue uma meta de humilde realismo: diminuir, até onde for possível, os riscos bélicos. É óbvio que os católicos, em qualquer hipótese, não podem tomar partido pela guerra, mas devem fazer o possível para delimitá-la. Se isso não for possível, devem empenhar-se para evitá-la, ou – quando deflagrada – para terminá-la.

Consultemos, ainda, o famoso Catecismo Holandês, que tem o significativo título de A Fé para Adultos:
- É verdade que Cristo não condenou a guerra, nem a pena de morte em nenhuma de suas palavras. Se o tivesse feito, os Evangelhos no-lo teriam comunicado. Mas isso não significa que Ele as tenha aprovado, e que sejam necessariamente cristãs. O Novo Testamento não condenou tampouco a escravidão, mas nem por isso ela é cristã. Cristo não introduziu mudanças de organização, para as quais a sociedade não estava madura nem moral nem psíquica, nem organizativamente. Mas comunicou espírito que pudesse promover o processo de maturação. Com todas as nossas forças devemos colaborar para dar forma sempre melhor à doutrina de Jesus sobre a igualdade de todos perante o Pai, sobre o oferecimento da outra face, o amor do inimigo, e para verificá-la cada vez mais em leis e instituições, mais justas e mais humanas. (O Novo Catecismo. A Fé para Adultos. São Paulo, Editora Herder, 1972. p. 489-490).

Abramos, finalmente, o Catecismo do Papa João Paulo II, de 1993:

O verbete guerra não consta do índice temático; em vez dele consta o verbete paz.
No parágrafo destinado a tal tema existe uma afirmação explícita: evitar a guerra:
               
- O Quinto Mandamento proíbe a destruição voluntária da vida humana. Por causa dos males e injustiças que toda guerra acarreta, a Igreja insta cada um a orar e agir para que a bondade divina nos livre da antiga escravidão da guerra.
Cada cidadão e cada governante deve agir de modo a evitar as guerras. Enquanto, porém, houver “perigo de guerra sem que exista uma autoridade internacional competente e dotada de forças suficientes, e esgotados todos os meios de negociação pacífica, não se poderá negar aos governos o direito de legítima defesa.
É preciso considerar com rigor as condições estritas de uma legítima defesa pela força militar. A gravidade de tal decisão a submete a condições rigorosas de legitimidade moral. É preciso ao mesmo tempo:
A) Que o dano infligido pelo agressor à nação ou à comunidade de nações seja durável, grave e certo.
B) Que todos os outros meios de pôr fim a tal dano se tenham revelado impraticáveis ou ineficazes.
C) Que estejam reunidas as condições sérias de êxito.
D) Que o emprego de armas não acarrete males e desordens mais graves do que o mal a eliminar. O poderio dos meios modernos de destruição pesa muito na avaliação desta condição.
- (...) A Igreja e a razão humana declaram a validade permanente da lei moral durante os conflitos armados: Nem quando por infelicidade a guerra já se iniciou, tudo se torna lícito entre as partes inimigas. É preciso respeitar e tratar com humanidade os não-combatentes, os soldados feridos e os prisioneiros. (...) Portanto o extermínio de um povo, de uma nação ou de uma minoria étnica deve ser condenado como pecado mortal. Deve-se moralmente resistir às ordens que impõem um genocídio. (Catecismo da Igreja Católica. Petrópolis, Vozes, 1993. p. 600-601).        

Portanto, a doutrina católica sobre a Guerra é explícita.
O difícil, para um católico, é posicionar-se na prática.

Noutras palavras: que fazer para que a guerra não seja deflagrada?
E, quando deflagrada: que fazer para detê-la?

É obrigação de todo cidadão católico evitar afirmações precipitadas, ou levianas, sobre tão complexo assunto.

quinta-feira, 24 de março de 2011

A quem você daria o Prêmio Nobel?


João Cabral de Melo Neto

Um leitor sugeriu que saíssemos um pouco da “seriedade” de nosso blog.
Atendendo ao seu pedido, oferecemos-lhe uma espécie de devaneio, na esperança de diverti-lo entre duas elevações da Taxa Selic.
É opinião, geralmente aceita pelas pessoas lúcidas do país, que nós, a soi-disant inteligentzia nacional, e até mesmo a maioria dos cidadãos comuns da nação, nos levamos demasiadamente a sério. Alguns de nós são a própria seriedade em pele e osso. Outros vão muito além: chegam a ser a essência platônica da idéia de seriedade.
Na companhia de tais irmãos, São Francisco de Assis, possivelmente, não conseguiria cantar pelas estradas da Úmbria, e o Rei David não poderia dançar novamente diante da Arca da Aliança, levada em procissão numa autopista do Estado de Israel.
Felizmente sobra um número expressivo de doidos varridos, de santos-zen-ou-cristãos, até mesmo de santos-católicos, que cultivam, no coração sigiloso de seus jardins, as ervas aromáticas da humildade.
A esses convido a brincarem comigo de Prêmio Nobel, no Brasil.
Ou seja: dispomo-nos a fingir que o Comitê do Prêmio Nobel de Estocolmo nos incumbiu de atribuir o dito Prêmio a dez escritores nacionais.

Cecília Meireles

Vamos, pois, aos escritores, imunizados contra qualquer favoritismo, infensos a qualquer pressão exterior.
Nossa escolha obedece a padrões inteiramente subjetivos.
A importância da preferência é insinuada pela escala descendente.
(Nossa lista só abarca autores pós-Semana de 1922):

Erico Verissimo


Primeiro Prêmio: João Cabral de Melo Neto;
Segundo Prêmio: Graciliano Ramos;
Terceiro Prêmio: Erico Verissimo;
Quarto Prêmio: Manuel Bandeira;
Quinto Prêmio: Carlos Drummond de Andrade;
Sexto prêmio: José Lins do Rego;
Sétimo Prêmio: Jorge de Lima;
Oitavo prêmio: Cecília Meireles;
Nono prêmio: Ferreira Gullar;
Décimo Prêmio: Murilo Mendes.

Primeiro Prêmio Nobel de Consolação: Guimarães Rosa;
Segundo Prêmio Nobel de Consolação: Clarice Lispector.

Os Prêmios Nobel de Consolação, em nossa classificação, possuem o mesmo valor honorário, e pecuniário, que o Prêmio tradicional. Essa nova modalidade de atribuição é uma contribuição aos regulamentos oficiais do Nobel Sueco, na esperança de que Estocolmo se aperceba da necessidade de ampliar os critérios de avaliação vigentes, visando a incluir neles gênios lingüístico-literários que não se enquadram nas categorias habituais.
Justificando nossa escolha:
Cabral de Melo Neto não admite controvérsias. Sua obra é a Vale do Rio Doce da Literatura Nacional.
Graciliano Ramos é a nossa Petrobrás.
Erico Verissimo pode ser comparado, às nossas infinitas Reservas Ecológicas.
Manuel Bandeira remeteria à incrível beleza de nossas mulatas, e a todas as outras formosuras multiétnicas de nossa terra;
Carlos Drummond de Andrade: é a nossa Eletrobrás, podendo evocar também nossa riqueza hídrica;
José Lins do Rego: é a nossa Telebrás, a nossa Unicef, além de simbolizar nosso poderio graneleiro;
Jorge de Lima é a nossa Anatel, devendo ser associado ao buquê de maravilhas turísticas das praias nordestinas, às canções de Dorival Caymi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, e outros;
Cecília Meireles é tudo o que o Brasil possui de riqueza florestal;
Ferreira Gullar: estando vivo, não o comparamos a nada. Talvez pudesse representar o Carnaval Carioca, as Artes Visuais da nação, a sua música erudita, e o seu patrimônio histórico e artístico;
Murilo Mendes: representaria a criatividade macunaímica de nosso inconsciente e de nosso subconsciente, bem como todas as fantasias presentes (ou ausentes) em nossas insônias e volúpias;
Guimarães Rosa e Clarice Lispector significariam o que no Brasil é insubstituível em termos de caracter, inteligência, e generosidade social.
O Brasil não possui perfis típicos de Prêmio Nobel. Nosso jeito de pensar e de sentir, de produzir literatura, é excessivamente informal aos olhos dos engravatados senhores de Estocolmo.
Cremos, porém, que nossa lista, se levada a sérios pelo Comitê de Seleção de Estocolmo, desbancaria uma grande parte dos Prêmios-Nobel já murchos, desde 1891 quando se concedeu o primeiro prêmio a Sully Prudhomme (1839-1907), autor principalmente de três coletâneas de poemas intituladas, respectivamente: Solitudes (1869), Destins (1872) e La Justice (Sonetos; 1878).
Sobre o poeta francês diz o conhecido Dictionnaire Universel dês Lettres:
- Existe delicadeza nas suas análises de sentimentos e uma sorte de probidade generosa no seu pensamento, embora sua expressão seja invencivelmente prosaica.(Publié sopus La direction de Pierre Clarac. Paris, Société d’Édition de Dictionnaires et Encyclopédies 1961.p.834)    
Às vezes, quando penso nesse poeta, sou assaltado por uma curiosíssima onda de ternura que não consigo explicar a mim mesmo! Tudo por causa de um único poema, traduzido magistralmente por Guilherme de Almeida, que li na minha juventude:

Vaso Partido

O vaso azul destas verbenas,
Partiu-o um leque que o tocou:
Golpe sutil, roçou-o apenas,
Pois nem um ruído o revelou.

Mas a ferida persistente,
Mordendo-o sempre e sem sinal,
Fez, firme e imperceptivelmente,
A volta toda do cristal.

A água fugiu calada e fria,
A seiva toda se esgotou;
Ninguém de nada desconfia.
Não toquem, não, que se quebrou.

Assim, a mão de alguém, roçando
Num coração, enche-o de dor;
E ele se vai, calmo, quebrando,
E morre a flor do seu amor;

Embora intacto ao olhar do mundo;
Sente, na sua solidão,
Crescer seu mal fino e profundo.
Já se quebrou: não toquem, não.

terça-feira, 22 de março de 2011

Senhores Professores: leiam Bertrand Russell!

        Tínhamos já lido essas páginas!
        Mas como o livro de Russell O Elogio ao Ócio foi relançado no Brasil (Terceira edição. Rio de Janeiro, Editora Sextante, 2002), resolvemos voltar às considerações que o autor desenvolve no primeiro capítulo:
         I.
        - No passado havia uma pequena classe ociosa e uma grande classe trabalhadora. A classe ociosa desfrutava vantagens que não tinham qualquer fundamento na justiça social, o que tornou essa classe inapelavelmente opressora, limitou seu sentido de solidariedade e levou-a a inventar teorias para justificar seus privilégios. Isso fez diminuir enormemente a sua excelência, mas não a impediu de ter contribuído para quase tudo o que chamamos de civilização. Ela cultivou as artes e descobriu as ciências, escreveu os livros, inventou as filosofias e aperfeiçoou as relações sociais.  Mesmo a libertação dos oprimidos foi geralmente iniciada a partir de cima. Sem a classe ociosa, a humanidade nunca teria emergido da barbárie.

        II.
         - Num mundo em que ninguém tenha de trabalhar mais do que quatro horas diárias, todas as pessoas poderão saciar a curiosidade científica que carregarem dentro de si e todo pintor poderá pintar seus quadros, sem passar por privações, independentemente da qualidade de sua arte. Jovens escritores não precisarão buscar a independência econômica indispensável às obras monumentais para as quais já terão perdido o gosto e a capacidade quando o momento chegar. (...) Os médicos terão tempo de estudar os progressos da medicina, e os professores não precisarão se desesperar por estarem repetindo com métodos rotineiros ensinamentos que aprenderam na juventude que, nesse meio tempo, podem já ter-se tornado comprovadamente falsos.

        Como “coda”, ajuntava o Prêmio Nobel:

        - Acima de tudo haverá felicidade e alegria de viver, em vez de nervos em frangalhos, fadiga e má digestão. O trabalho exigido será suficiente para tornar agradável o lazer, mas não levará ninguém à exaustão. E como não estarão cansadas nas horas de folga, as pessoas deixarão de buscar diversões exclusivamernte passivas e monótonas. (Ibid. p.. 34-35).

        É uma pena que o filósofo se tenha equivocado! (A primeira edição desse livro saiu em 1935).
Penso que boa parte dos leitores terão percebido, nesse búzio maravilhoso de Russell, os ecos das profecias de Karl Marx. Profecias, é verdade, que não se realizaram até à data presente, embora possam realizar-se no futuro.
        Quando?
        Os franceses ensaiaram uma experiência “russelliana” num de seus governos socialistas recentes: reduziram as horas de trabalho!
        Não deu certo. É verdade que o mesmo ocorreu com certas pistas que foram abandonadas pelos pesquisadores de medicina; com o passar dos tempos, voltaram a ser retomadas.
        Não acontecerá o mesmo com a visão utópica de Marx, e a visão hiper-utópica de Russell?
        O filósofo inglês não deixou seu pensamento pela metade: no mesmo capítulo revelou o que entendia por “diversões exclusivamente passivas e monótonas”:
        - Ver filmes, assistir a partidas de futebol, ouvir rádio e assim por diante. (Ibid. p. 33).
        Evitemos de considerar Russell um ingênuo: ele condicionava a nova era a uma reformulação da educação:
        - Uma condição fundamental de tal sistema social é que a educação ultrapasse as suas atuais fronteiras e adote como parte de seus objetivos o cultivo de aptidões que capacitem as pessoas a usar seu lazer de maneira inteligente. (Ibid. p. 33).
        A favor de Russell mencionemos um fato recente: multiplicaram-se as oficinas literárias, os cursos de artes pipocam, não faltam ateliês livres.
        O que o filósofo não podia saber é que a mentalidade “capitalista” contaminaria, também, tais cursos que, com muita freqüência, não são encarados como atividades expansivas de dotes pessoais latentes, mas como uma Escada-de-Jacó que conduz diretamente ao céu da mídia, ou à condição de ícone da sociedade. As pessoas não descobriram, ainda, que mais vale criar alguma coisa, mesmo que não possa ser seja badalada, do que não criá-la.
       O prazer específico da criação artística deveria ser recompensa suficiente para um criador – naturalmente, seguida de um mínimo de comunicação e partilha com alguém, nem que seja com a própria família, com o cachorro, ou com o gato que se delicia com o leite que lhe fornecemos...
        Não é esse o caso. A maioria das pessoas não se satisfaz com repercussões tão modestas! Sonha com ascensões ao pódio, telinhas da televisão, ou com outros locais onde o pequenino Eu possa rebrilhar.
Nem falemos sobre as diversões passivas e monótonas!
O problema é que nosso sistema educacional se mantém atrelado aos varais dos meios de comunicação. Dificilmente se tentam caminhos alternativos... ou mesmo, retroativos!
 Tomemos um exemplo: insistir em que um aluno leia Machado de Assis, Lima Barreto, ou Erico Verissimo?
Não é bom método. É melhor começar por autores que, amanhã ou depois, serão varridos pela vassoura implacável da História, mas que, neste momento, ocupam as manchetes dos jornais. Como escritor, nunca entendi a devota insistência dos professores na assim dita literatura infanto-juvenil. Que ela seja um dos meios a serem experimentados, concordo.. Que ela seja o meio mais adequado?
 Ah, meu Deus, gostaria de não ter tantas dúvidas!
A literatura infanto-juvenil, excluída a primeira fase, quando a criança não se desfez totalmente de sua aura imaginativa natural – ou dos resquícios de sua placenta intelectual – acaba por habituá-la a continuar mamando, quando já se lhe entumesceram as gengivas com os dentes.
Deixo a dica aos senhores professores!
Os professores fariam bem em escutar os autores, mesmo os reacionários!
Um dia, Mario Quintana me contou que havia aprendido inglês sem ter freqüentado nenhuma escola de línguas. Limitou-se a traduzir livros ingleses com a ajuda de dicionários.
Reconheço que aprender inglês desse jeito seria o mesmo que extrair dentes sem anestesia! Mas os Quintanas não estão sobrando, apesar de as anestesias serem comuns.
Encerro estas bizarras considerações, sugerindo – a quem de direito – que não se deixem levar por slogans baratos, nem por soluções mágicas. Os chapéus, dos quais outrora saiam flamantes coelhos, deixaram de existir com a extinção das chapelarias, e os efeitos especiais são copyright de Hollywood.  

sábado, 19 de março de 2011

Visita a uma Gruta Pré-Histórica: Font-de-Gaume.

          Em outubro de 2010, dentro da programação do tour da Biarritz Turismo: Pelos Caminhos do Pensamento e da Arte Medieval,  que incluía, como atrações-extras, o acesso a outros pontos de interesse além dos medievais, tivemos a oportunidade de visitar uma gruta pré-histórica: a de Font-de-Gaume, no sul da França, na região conhecida como Les Eyzies-de-Tayac.
É uma das poucas grutas atualmente franqueadas aos turistas. As demais, por razões de conservação, são reservadas aos especialistas.
A gruta situa-se à meia-altura de um penhasco, à razoável altura. Tivemos de percorrer quatrocentos metros até atingir a entrada do sítio arqueológico.
Sob a orientação de um guia, penetramos no refúgio, onde se reuniam nossos ancestrais, numa época não tão distanciados das dobras de sua animalidade.
À medida que o guia nos introduzia no bojo cavernoso, advertindo-nos, constantemente, que evitássemos bater com a cabeça numa das tantas reentrâncias da rocha, começamos a habituar-nos à iluminação interior, mantida por uma rede de lâmpadas instaladas em nichos dispostos para uma boa visão das pinturas, e também sob nossos pés, para que pudéssemos caminhar sabendo onde pisávamos.
Formávamos um grupo de 12 pessoas (número máximo permitido para cada grupo de visitantes). Estávamos ansiosos por ver os famosos bisontes, ursos, renas, mamutes, bovídeos, cervos, leões (existem cinco figuras desse animal), lobos, rinoceronte (uma única figura), gravados ou pintados nas paredes. Ao todo, 230 figuras.
Não foi fácil ver as pinturas – assim ditas – rupestres.
Elas não são contempladas como numa folha horizontal de papel, nem à maneira de figuras numa superfície vertical. Os animais aparecem silhuetados, com preenchimento de partes de sua anatomia mediante manchas de variadas colorações vermelhas, ocres, e pretas. Acompanham as ondulações da caverna, avançando em direção ao espectador, ou afastando-se dele, de acordo com as variações de superfície das rochas.
Ajudados pela lâmpada-laser do guia, começamos, com certa dificuldade, a vislumbrar os animais: lá estavam eles.
Há quanto tempo? Aproximadamente 15.000 mil anos de distância cronológica, em relação a nós!
O guia, um profissional de reconhecida competência, fornecia-nos dados e explicações. Quando nossos olhos demoravam a identificar o desenho dos animais, ele, com gentileza e paciência, voltava a dirigir seu jato-laser no ponto visado, mostrando onde principiavam, e onde terminavam.
Sabemos que as opiniões dos estudiosos nem sempre concordam entre si.
Seriam tais animais exemplos de magia negra? Nesse caso, representava-se o animal que se queria abater, crivando-o de flechas, ou mostrando-o diante de armadilhas.  
Seriam exemplos de magia branca, isto é: figurariam fêmeas grávidas, garantia da futura caça?
Ou teriam tais animais conotações míticas e sexuais, de modo que, de acordo com uma sintaxe complexa de localizações espaciais e combinações simbólicas, poderíamos adivinhar seus significados – como propõe um André Leroi-Gourhan?
Ou passariam, pelo cérebro desses caçadores, idéias diferentes das que lhes atribuímos? Lembremos que da palavra eidolon deriva ídolo, vocábulo grego que significava primordialmente imagem...
Quando terminou a visitação, ficamos silenciosos, como se tivéssemos sido introduzidos na alcova de um príncipe das Mil e Uma Noites.
Mil e uma noites tinham realmente ocorrido nessa gruta, e nós ali estávamos sem a chave final para o segredo que ocultavam no seu isolamento de muitos milhares de anos.
Formulemos, antes de mais nada, uma questão: tais pinturas podem ser consideradas obras de artes?
A resposta é:
- Sem dúvida!
Por uma razão, sobretudo: não se trata de meros riscos de principiantes, mas de esboços que revelam o talento de artistas refinados. Alguns deles chegaram a sugerir a perspectiva, ou seja, a representação do espaço tridimensional, no qual viviam tais animais.
Os desenhos não são nada primários. São vigorosos. Definem os animais de acordo com suas características morfológicas. Algumas representações, que mostram os olhos desses animais, provocam a admiração dos especialistas.Em geral, o volume é sugerido por concentrações cromáticas distribuídas nas figuras.
Só não existe uma coisa nessas representações: preocupação pelo conjunto.
Não existiu de fato, ou não chegamos a percebê-la? O fato é que os animais amontoam-se uns sobre os outros.
Outra singularidade: não se encontrou, em nenhuma gruta pré-histórica, paisagem alguma.
Não interessava aos pré-históricos figurar esse elemento, ou viviam eles de tal modo imersos no entorno, que não dispunham de distância psíquica suficiente para percebê-lo? Ou, com maior probabilidade: a luta pela sobrevivência não lhes deixava tempo para isso.
A visita à Gruta de Font de Gaume obrigou-nos a novas reflexões sobre a motivação do fazer artístico.
Permitimo-nos algumas considerações.
A primeira: os pré-históricos já estavam de posse das técnicas fundamentais necessárias à expressão artística. Existem desenhos nas grutas que se comparam aos de Rafael ou de Picasso. Na Gruta de Font-de-Gaume, em particular, mostra duas renas confrontando-se, numa espécie de dança ritual sexual que, por ser sugestiva e de inegável valor artístico, é reproduzida em quase todas as Histórias da Arte.
Em segundo lugar, convém destacar a acuidade visual dos pré-históricos.Eles viam os animais como câmeras japonesas de última geração! Apanhavam os traços mais sutis dos bichos. Mediante a memória e a imaginação, criavam imagens deles, até mesmo quando os tinham de figurar em posições desvantajosas. Algumas das imagens parecem ter sido desenhadas, estando o artista sobre os ombros de um membro da tribo. E na quase escuridão...
Lá dentro, podiam manter apenas o fogo vacilante de chamas alimentadas por graxa animal. Aliás, os historiadores chamam a atenção para um detalhe: deviam ser impressionantes as imagens vistas à luz de tais flamas móveis!
Nunca, provavelmente, decifraremos tal “sistema” iconográfico!
 As imagens, talvez, nasceram de uma dupla necessidade: a do pão – que nessa época ainda não existia, pois o homem era coletor e caçador, não agricultor – e a necessidade psíquica de uma explicação da vida.
Quem sabe, também, nascessem da necessidade coletiva de solidariedade, que levava tais trogloditas a criarem danças misteriosas, que os incentivavam a permanecer vivos, apesar dos pesares.
Ao se sentirem imersos em tais danças, nossos ancestrais poderiam – eventualmente – formar a idéia - a imagem - de que poderia haver uma luz no fim do túnel?
Talvez seja excessivo pensar nisso!
Se aconteceu tal coisa, teria nascido aí a esperança, que se recusa a abandonar qualquer ser humano, mesmo o mais infeliz.
A esperança, para orgulho do homem, só pode ser objeto de uma rejeição pessoal.

quinta-feira, 17 de março de 2011

A Importância dos Avós

I. O surgimento da criança na História da Arte.
Ao ler a História Social da Criança e da Família[1], de Philippe Áriès, tive algumas surpresas.
Uma delas foi descobrir que, no nosso mundo ocidental, até por volta do século XII, a Arte desconhecia a infância, ou não se interessava em representá-la. Já o havia notado, em meus cursos de História da Arte na UFRGS. Mas foi Philippe Ariès quem me confirmou tal realidade.[2]
Quando os medievais queriam figurar a cena do Evangelho em que Jesus pede que se deixe vir a Ele as criancinhas, os artistas representavam em torno de Jesus oito homens, sem nenhuma das características da infância. Reproduziam tais homens em escala menor. Apenas o seu tamanho os distinguia dos adultos. Numa outra cena, as três crianças que São Nicolau ressuscita, aparecem representadas em escala reduzida, sem nenhuma diferença de expressão ou de traços. Nos raros casos em que uma criança era representada nua, o pintor não receava dar-lhe a musculatura de um adulto.[3] Numa palavra, até ao fim do século XIII, “não existem crianças caracterizadas por uma expressão particular, e sim homens de tamanho reduzido”.[4]
Foi só a partir do século XIII que surgiram alguns tipos de crianças mais próximos do sentimento moderno.
Surgiu, primeiramente o Anjo que, normalmente, era figurado como um jovem adolescente. O “Anjo de Reims” seria, no entender de especialistas, um menino grande, mais do que uma criança.[5] Diz Ariès: “estamos longe dos adultos em escala reduzida das miniaturas medievais.[6] Logo depois, os artistas inventaram o ancestral de todas as crianças da História da Arte: o Menino Jesus, seguido pela imagem de Nossa Senhora Menina. No início, Jesus era como as outras crianças, um adulto miniatural. Com a multiplicação das Madonnas, a infância começou a conquistar o seu lugar ao sol. Em termos gerais, até ao século XIV, o sentimento encantador da tenra infância permaneceu limitado ao Menino Jesus.[7]
Um pouco depois, no final da Arte Gótica, aparece a criança nua. Os artistas ousam desnudar o Menino Jesus. A Arte Italiana contribuiu muito para uma maior liberdade nesse domínio, com suas delicadas representações da Maternidade Divina. Nestas, vê-se o Menino Jesus procurando o seio da Mãe, preparando-se para beijá-la ou acariciá-la. Logo depois, vê-se o Menino Jesus em cenas domésticas, por exemplo, comendo o seu mingau.[8].
Convém esclarecer que, já no Renascimento, as crianças começaram a merecer maior atenção dos pais. No livro A Vida Quotidiana em Florença no Tempo dos Médicis, J. Lucas-Dubreton informa que, nessa época, já se colecionavam as primeiras palavras das crianças, como babbo e mamma.[9][10] Parece, também, que nesse tempo, os netos gozavam de alguma consideração. Por exemplo, eles são apresentados por um burguês a Clarissa Orsini, mulher de Lorenzo, o Magnífico: “Madonna Clarissa, aqui está a minha filha. Vamos, avança, aperta a mão à senhora... E mais esta e mais esta. Aquela é minha neta, e também aquela outra, e ainda mais esta. Todos estes são meus netos: vamos lá, estejam quietos e sejam gentis”.[11]
Somente no século XVI apareceram os primeiros retratos de crianças, isoladas dos pais, completando assim a evolução iconográfica.
No século XVII, semelhante tipo de representação torna-se comum. Em outras palavras: “a grande novidade do século XVII” é a criança representada sozinha e por ela mesma. [12]

II. Uma inovação: o sentimento dos avós em relação aos netos.
Notemos que, até ao século XIX, a idade média de vida era muito baixa. O conhecido geneticista e demógrafo, Albert Jacquard, observa que, ainda no século XVIII, a duração média de uma vida limitava-se a 30 anos. Atualmente, “a expectativa de vida”, calculada a partir do conjunto da população, é da ordem de quarenta anos. A duração média, porém, aproxima-se, em alguns países, dos 80 anos.[13]
Em razão disso, era muito raro que as crianças, no passado, conhecessem os avós.  Não existia aquilo que nós denominamos: “avovice”.
Um dos primeiros casos de avovice,  encontra-se numa carta deliciosa de Madame de Sévigné (Marie de Rabutin-Chantal, Marquesa de Sévigné. 1626-1696), que ficou viúva aos 25 anos com dois filhos. Era neta de Santa Joana Francisca Fremiot de Chantal (1572-1641), discípula de São Francisco de Sales, e fundadora da Ordem da Visitação. Madame de Sévignér celebrizou-se pelas 1.500 cartas que escreveu, a maioria delas endereçadas à sua filha, nas quais ela inventou um estilo que ainda hoje cativa seus leitores. Nessas cartas, Madame de Sévigné descreve sua netinha como ninguém o tinha feito até então. Eis uns trechos de suas cartas:
“Nossa menina é uma belezinha.´É morena e muito bonita. Lá vem ela. Dá-me um beijo lambuzado, mas nunca grita. Ele me abraça, me reconhece, ri para mim e me chama só de Maman (em vez de Bonne Maman)”. “Eu a amo muito. Mandei cortar seus cabelos, e ela agora usa um penteado solto. Esse penteado é feito para ela. Sua tez, seu pescoço e seu corpinho são admiráveis. Ela faz cem pequenas coisinhas: faz carinhos, bate, faz o sinal da cruz, pede desculpas, faz reverência, beija a mão, sacode os ombros, dança, agrada, segura o queixo: enfim, ela é bonita em tudo o que faz. Distraio-me com ela horas a fio”. (Cit. Ibid. Carta de 18 de setembro de 1671; carta 22 de dezembro de 1671; carta de 20 de maio de 1672).[14]
Muitas mães e amas já haviam sentido o que Madame de Sévigné sentiu. Nenhuma, porém, admitira que tais sentimentos fossem dignos de ser expressos de uma forma tão carinhosa.[15]
Convenhamos: as expressões de Madame de Sévigné poderiam ser encontradas num e-mail dos dias de hoje.
Li, recentemente, As Confissões de Jean-Jacques Rousseau.[16] Foram iniciadas em 1712, e prolongam-se até 1762. Encontrei em suas páginas poucas referências aos avós, sinal de que, nessa época, os avós quase não ocupavam a atenção das pessoas.

III. Cartas à minha neta.
As cartas de Madame Sévigne são do fim do século XVII, de 1664 a 1696. De lá até hoje, têm havido muitas mudanças de comportamento nas relações familiares. A rigor, tais mudanças continuam ocorrendo no século XXI.
Fatores múltiplos contribuem para isso. A situação sócio-econômica acelerou a profissionalização da mulher. O rompimento das estruturas familiares tradicionais favoreceu a instabilidades das uniões matrimoniais. Casais fazem-se e desfazem-se com freqüência alarmante. Outro fator importante tem sido o aumento da idade média de vida. Em nossa época, já não há o problema de os avós morrerem sem conhecer os netos.
O problema hoje é outro: o de os avós conhecerem seus netos! É relativamente comum o caso de filhos que vão trabalhar em outros estados, em outros países, em outros continentes. O convívio com os avós tornou-se intermitente, às vezes casual.
Um outro fator merece ser considerado: em nossos dias, os casamentos tendem a ser realizados cada vez mais tarde. Com isso, apesar da longevidade dos avós, estes, ao chegar a época de conviverem com os netos, já não têm mais saúde.
Podemos perguntar-nos: como serão, no futuro, tais relações?
Permito-me uma referência pessoal.
Tenho apenas uma neta, Ingrid
A experiência do convívio com ela foi, para mim, uma experiência única. Não direi superior à dos filhos; foi de outra natureza.
Amar um neto não é como amar um filho. No amor dos filhos entra, necessariamente, uma dimensão de autoridade, de controle – fatores que não estão presentes na relação avô-neto.
Nessa relação há mais ternura, mais paciência, mais singeleza. O avô e a avó sabem que existe um horizonte mortal na vida deles. É preciso aproveitar o tempo. Em vista disso, o convívio torna-se mais intenso.
Outro problema atual, desafiador, é o seguinte: sabíamos que já não podíamos orientar, completamente, a educação dos filhos. Pois bem, sabemos, agora, que é mais difícil orientar a educação de nossos netos. A escola, a universidade, a mídia, o ambiente social, tudo se interpõe, contrariando, com certa freqüência, nossos princípios e aspirações.
Esta é uma das  razões, a primordial, que me levou a escrever as Cartas à Minha Neta.
Quis expor-lhe minha visão do Cristianismo. Além disso, sou o que se convencionou em qualificar “um humanista”, um apreciador das coisas artísticas, nas suas mais variadas expressões. Estas constituem, para mim, um dos maiores encantos da vida.
Já que a sociedade, em que minha neta é obrigada a viver, tem movimentos que criam oposições e conflitos com minha crença religiosa, e até com minhas posições humanistas, resolvi deixar-lhe uma espécie de roteiro de viagem. Espero que ela (e minhas outras “netas”, isto é, as crianças da idade dela) aproveitem algo de minha experiência e de meu esforço.
Procurei oferecer-lhes minha visão sem hipocrisia, nem presunção. Baseei-me  num documento preciso: o Novo Catecismo da Igreja Católica, publicado em 1992, com a aprovação do Papa, de saudosa memória, João Paulo II.
      Confrontei com a doutrina do Catecismo, não só meu mundo intelectual e artístico, mas também minha formação pessoal de católico. O livro, portanto, é respeitoso, embora seja crítico, no sentido original dessa palavra: ponderar Avaliei o conteúdo de minha Fé, não só o seu conteúdo dogmático, mas também o seu conteúdo existencial. Esforcei-me por mostrar que o mundo natural não é abolido pelo mundo sobrenatural. É elevado a outra ordem. O homem, a quem está prometida a Ressurreição, é este homem concreto que eu sou, qaue é minha neta, que são vocês, eventuais leitores.


[1] Tradução de Dora Flaksman. 2 ed. Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos Editora, 1981.
[2] Ibid. p. 50.
[3] Ibid. p. 51
[4] Ibid. 51.
[5] Ibid. p. 52.
[6] Ibid. p. 52.
[7] Ibid. p. 53.
[8] Ibid. p. 54.
[9] Tradução de Maria Fernanda Oliveira Marques. Lisboa, Livros do Brasil, sd. p. 110.
[10] Ibid. p. 110.
[12] Ibid. p. 60.
[13] JACQUARD, Albert et PLANÈS, Huguette. Filosofia para Não-Filósofos. Trad. De Guilherme João de Freitas Teixeira. Rio de Janeiro, Elsevier Editora, 2004. p. 21.  
[14] ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. p..68
[15] Ibid. p. 68.
[16] Les ConfessionsLes Rêveries du  Promeneur Solitaire. Paris, Bibliothèque de la Pléiade, 1951.Em português: 0As Confissões. Prefácio e tradução de Wilson Lousada. Rio de Janeiro, Ediouro, sd.