sábado, 26 de fevereiro de 2011

Gustavo Corção, Um Reacionário?

À MANEIRA DE MACHADO DE ASSIS: UM FALAR E DOIS ENTENDERES
Amigos, que leram meu blog: Conheci um grande escritor: Gustavo Corção, não entenderam que, nesse primeiro ensaio sobre o escritor, eu procurava atingir dois objetivos: relatar meus encontros com Corção, e valorizar seu talento específico de escritor – melhor dito: de grande escritor. Não me interessava naquele escrito em falar sobre a incrível trajetória cristão-católica do escritor, durante a qual ele passou – de uma posição materialista e atéia, com um ideário político comunista,a uma posição espiritualista e de católico praticante, com um ideário soi-disant democrático.
Atendendo, pois, ao desejo desses amigos, tentarei, nesta crônica-ensaio, explicar meu ponto de vistasobre as dramáticas reviravoltas  religioso-políticas de Corção, esforçando-me por evitar qualquer parcialidade na apreciação de tão surpreendentes reviravoltas.
Começo por dispensar-me de relatar sua conversão ao catolicismo, que culminou em 1939. O próprio escritor encarregou-se de no-la contar no seu (recomendadíssimo) livro, quase um romance de tão bom que é: A Descoberta do Outro, réplica, ao jeito brasileiro, das Confissões de Santo Agostinho. O relato de Corção é o de um indivíduo de nosso século, acossado por problemas totalmente diversos dos que torturavam as pessoas no século IV d.C. Além disso, Corção o fez, com um sentido de humor que inexiste nas efusões emotivas, quase vulcânicas, do Santo Doutor. Santo Agostinho escrevia diante de Deus, como se o Senhor dos Céus e da Terra estivesse sentado no seu trono diante dele, a escutá-lo. Daí a expressão Confissões, que pode ser glosada em dois significados: o de confidência a uma pessoa amada, e o de pedido de indulgência a um Ser, que tem poder de perdoar. Em  A Descoberta do Outro o autor não adota tal ponto-de-vista. Prefere escrever ao grande público, sem preocupações de auto-justificação, ou de auto-acusação. Quer, simplesmente, oferecer um depoimento existencial. E o cumpre com toques de poesia e de auto-ironia. São dois estilos, unificados pelo desejo de prestar um serviço à comunidade dos crentes, e – no caso específico de Corção – também à imensíssima comunidade dos descrentes.
Fiquemos no terreno em que nos propusemos ficar: o de sua trajetória religiosa e política.
O escritor facilitou-nos a tarefa com a publicação de O Século do Nada, obra convulsiva que não deixamos de mencionar no nosso blog. Trata-se de um terrivelmente polêmico. Pode-se defimni-lo, até, uma espécie de libelo contra os seus adversários, contra quem, simplesmente resolvesse contrariar suas tomadas de posição, tanto dentro do catolicismo, como no domínio das opções políticas. É um livro de uma agressividade grotesca. Merece ser adjetivado como desagradável. Falta nele o respeito aos adversários, falta-lhe, sobretudo, a cortesia – vá lá o termo falta-lhe, principalmente, elegância espiritual.
 Corção dá a impressão de um “fanático, com todas as ramificações que esse termo tem de pejorativo.
 Para que ninguém nos acuse de malevolente – a nós, que sempre nos declaramos admirador incondicional de seu talento de escritor e, sob certas ressalvas, também de seu catolicismo -  sim, de seu catolicismo vivido, existido, presente  nos refolhos de sua personalidade – forneceremos alguns exemplos da efervescente impertinência do escritor.
Antes de tudo, deixemos bem claro um ponto: não aprovamos o catolicismo que Corção defende, o seu catolicismo incendiado por um temperamento excessivamente feroz, por uma paixão “apostólica” desvairada, que o leva a considerar-se o acionista-mor da Fé que professa, o possuidor de certezas interiores e exteriores, que só a Graça de Deus pode assegurar, (e sempre em carácter de exceção), a alguns místicos, cujas credenciais a Igreja é que tem o direito de examinar “com pente fino”. Mesmo assim, as autoridades eclesiásticas legitimamente constituídas não obrigam ninguém a admitir tais certezas, advindas por meio de revelações particulares.
 Indistamos: a Revelação, trazida pessoalmente pelo Filho de Deus aos homens, cessou com a morte do último dos Apóstolos. Disso se infere que só nos é permitida a elucidação do Depósito da Fé, a exploração de suas silenciosas jazidas, tarefa confiada à Comunidade dos Crentes, ou seja, à Ecclesia propriamente dita, sob a direção dos Bispos, sucessores dos Apóstolos, e do Papa que, por ocupar a diocese de Pedro, detém em suas mãos as Chaves da Igreja, que Cristo confiou a Pedro.
Abramos, pois, esse buliçoso Século do Nada, o livro “com que venho sonhando há mais de quatro anos! –como confessava o escritor aos leitores na sua primeira edição de 1973.
Um pouco adiante,Corção acrescentava:
- O fato é que tudo o que li nestes últimos cinco anos sobre o que aconteceu no mundo católico, e sobre o que me parece explicar o que está acontecendo, compele-me imperativamente, preceptivamente, a escrever este livro, não por julgá-lo necessário e útil para a Igreja e para o mundo, mas simplesmente por julgá-lo indispensável à completação e ao retoque do testemunho que venho deixando há tantos anos em livros, aulas e artigos.(O Século do Nada. 2 ed.Rio de Janeiro, Distribuidora Record, sd. p.13).
Vê-se por aí até onde se estende o “furor religiosus” de Corção! Inconscientementre, ele se arvora num profeta de cabelos desgrenhados. Aliás, ele mesmo se incumbe de nos precisar o tom de suas objurgatórias:
- O tom será aqui e ali pessoal, evocativo e afetivo, porque na verdade vou reabrir feridas, ou ferir-me onde me julgava ileso. Deixarei correr a memória sem preocupação de método e de sistematização, mas depois desse desabafo no ombro imaginário de um leitor imaginariamente amigo, levantarei vôo para as terras onde todo o drama deste século se iniciou e se desenrolou, e então tratarei de esquecer-me de mim e do leitor, para entregar-me de corpo e alma à observação e ao registro dos fatos, que nos trouxeram tão inimagináveis calamidades.
Talvez eu me tenha equivocado: não se tratará, aqui, de um profeta do Antigo Testamento, mas de um brasileiríssimo – e atualizado - Antônio Conselheiro, descido de pára-quedas numa das praias do Rio de Janeiro.
Tanto valor o escritor atribui ao seu libelo que começa antepondo-lhe, em latim, o penhorante e exorcizante  sinal da cruz: in nomine Patris et Filii et Spirictus Sancti.
Após uma breve resenha autobiográfica, Corção levanta vôo com uma sorte de louvação histérica à Espanha Católica de 1936, a Dom José Moscardó Ituarte (o comandante da defesa do Alcazar de Toledo), ao  general Queipo de Llano, e a José Antonio Primo de Rivera:
- España libre, España bella
 con roquetés y Falangres
 con el tercio mui valiente...
Inacreditável!
Como compensação a tão desmedida adesão a indivíduos, que não tardarão a ser contestado, o escritor dá-se pressa em abrir uma clareira de lucidez:
- No Brasil, o regime originado pelo golpe de estado de 1937, inculcou-me uma aversão pelos regimes políticos semelhantes. Vinha da Europa, e mais especialmente da França, uma corrente de antifascismo que recebi sem procurar discernir as várias significações que o mesmo vocábulo encobria. Lembro-me bem da primeira vez que vi, em Jacarepaguá, num cinema empoeirado, a figura de Adold Hitler, a discursar num cenário wagneriano. Levantei-me, como quem acorda, sem poder sopitar uma exclamação: “Esse homem é louco!” Minha mulher puxou-me pelo casaco, e eu me espantava com a tranquilidade da platéia.(...) A figura de Mussolini, correndo em passo ginástico com seu ministério, veio compor o que designava o termo “fascismo”, e facilitar o sumário desprezo com que enquadraríamos o regime de Salazar em Portugal, e a recente ditadura implantada por Franco na Espanha”.(Ibid. p. 19).
Prosseguindo nas suas auto-revelações, Corção afirma ter sido filocomunista:  Marxista nunca”. Conta que a publicação de seu livro A Descoberta do Outro o tornou, repentinamente, figura conhecida, um ícone da intelectualidade católica.  A primeira edição desse livro esgotou-se em quinze dias! A segunda e a terceira edição seguiram pelo mesmo caminho: esgotaram-se em poucos meses.
Em 1945 – prossegue Corção - uma voz estridente de mulher o acordou, no coração da noite, para dizer-lhe: “Os russos estão chegando em Berlim!” Confessa ter ficado, inicialmente, mudo.  Como a mulher voltasse a dizer-lhe: “Os russos estão entrando em Berlim!”, Corção – inexplicavlelmente segundo refere – perdeu a paciência, e respondeu-lhe: “Merda!” (Ib. p. 23). Segundo o escritor, naquele dia, estava sendo consumada uma monstruosa impostura: os povos ocidentais entregavam ao Minotauro Comunista dez vezes mais que a parte da Polônia, em razão da qual o mundo entrara em guerra!
Foi, talvez em 1948, que Fernando Carneiro interrompeu um disco de Mozart, que estava deliciando Corção, para dizer-lhe: “Você já ouviu falar no Padre Lebret?”
O escritor convertido não conhecia o dominicano francês, cujo movimento Economia e Humanismo estava eletrizando a mentalidade social dos católicos franceses. Esse movimento, na opinião de Corção, foi o responsável de se terem implantado no Brasil “os primeiros vírus do esquerdismo católico que vinte anos depois produziria os escândalos dos Dominicanos que, em São Paulo, transformaram o Convento das Perdizes em reduto de guerrilheiros”. (Ibid. p. 25).   
Por causa do famoso Padre Lebret, Gustavo Corção  refere ter o poeta Murilo Mendes engolido um dospiores sapos de sua vida. Em 1948, o ilustre religioso francês veio ao Rio de Janeiro para uma série de conferências. Corção foi ouvi-las. Após uma delas, resolveu acompanhar, com outros amigos, o conferencista francês que desejava conhecer o Mosteiro de São Bento. Murilo Mendes estava no grupo dos acompanhantes. Espirituoso como sempre, o poeta teve a má idéia de acender uma sorte de buscapé ideológico, declarando, alto e bom som:  “O Comunismo é chato por não ter o senso da poesia”. O Padre Lebret, no mesmo instante,voltou-se para o indiscreto, e gelou-o com a seguinte observação: “C’est vous  que n’avez rien compris du communisme”. De acordo com Corção, o poeta “meteu a viola no saco”...
Dessa data em diante, a inteligência católica do Brasil começou a atolar-se num pântano de idéias “revolucionárias”. Corção que, após o fulgurante sucesso de seu livro de memórias, se convertera num “popstar” do Catolicismo de então, chovendo-lhe convites a dar palestras de todos os cantos do Brasil, rdpecialmente de Minas e do Rio Grande do Sul, foi – de repente - qualificado por estudantes católicos de “inimigo número 2 dos estudantes” e, insulto intolerável, declarado uma “múmia” pelos rapazes que até então o consideravam seu padrinho espiritual.
 Na mesma época, surgiu  a União Brasileira de Estudantes (UNE), que assinalou o início da vitória da infiltração comunista no meio estudantil. Corção o confirma: “Eu vi essa infiltração com quem vê uma mosca caída no leite.”(Ib. p. 32).
Para não enfadar o leitor, sintetizemos o que se lhe seguiu: altercações a granel entre católicos, semi-católicos, e católicos integrais! Atritos generalizados. Mútuas acusações a respeito de diferentes atitudes com respeito a esse ponto, ou a outro da Religião. O momento decisivo da cisão não tardou a acontecer: foi em 1963 quando o escritor famoso e um grupo de adeptos cansaram-se do líder dos católicos considerados “esquerdizantes”, o Prof. Alceu Amoroso Lima (conhecido, também, como Tristão de Athayde), que presidia o Centro Dom Vital, uma Linha Maginot da intelectualidade católica nacionmal. O Dr. Alceu foi pressionado a demitir-se. Corção, após 15 anos de militância nesse centro, onde dava cursos e conferências, até para empregadas domésticas, escreveu uma carta ao Dr. Alceu, desligando-se do Centro. Imagine-se o rebuliço que a saída de Corção provocou!
 O dissidente Corção resolveu fundar com amigos um movimento alternativo: o Permanência.
Saltemos, porém, os tumultuosos acontecimentos que resultaram na queda de Jango Goulart e que, consoante o escritor, levaram os brasileiros ao assassinato do Brasil. Façamos, tão somente, uma alusão à “Marcha da Família – com Deus e pela Liberdade”, que precedeu o levante militar de 64. Deixemos aos historiadores profissionais a descrição e análise das greves, que começaram a pipocar em, toda a parte, quaislevaram Jango Goulart à sede do Automóvel Clube do Brasi, onde ele pronunciou um discurso aplaudidíssimo, repleto de chavões para-socialistas. Nessa noite – declara Corçao, com ênfase -  o Brasil chegou ao ponto mais baixo de sua história.(Ib. p. 40).
Neste ínterim, prestemos ( por um minuto!) atenção ao ranger dos tanques, que os militares estavam pondo nas sempre divertidas ruas cariocas...
Demos outro salto imaginativo: instalemo-nos em 1968, ano básico segundo Corção, quando “as esquerdas, vencidas e expulsas dos cargos” começaram a levantar as cabeças...Nesse ano fatídico, os guerrilheiros de Marighela – sempre segundo Corção –estabeleceram sua cabeça-de-ponte (expressão significativa do escritor) no Convento Dominicano das Perdizes, em São Paulo.
Com a explosão do Escândalo-Marighela, surgiram as primeiras denúncias na Europa contra as perversidades do governo militar brasileiro. Dom Helder voa a  Paris, convoca a imprensa, e  concede uma sensacional  entrevista à revista L’Express sobre as técnicas repressivas dos militares goverbnistas: -“para vergonha – diz Corção, hiper- enfáticamente – do planeta Terra”. (Ib. p. 46).
Cai o pano do Primeiro Ato.
Corção, em O Século do Nada, evita estender-se. Parece ignorar os Amos-de-Chumbo dos Anos Setenta, os detestados Anos-Médici. Os canhões de Corção, agora, estão apontados  contra os arraiais católicos adversos. Ajusta contas até com ex-mestres reverenciados, como Jacques Maritain e seu Le Paysan de La Garonne, que não agradou inteiramente ao ex-devoto. Critica o grande teólogo tomista,  M.D. Chenu, e outras sumidades do Catolicismo.
Podemos dizer que, a partir de então, encontraremos sempre Gustavo Corção de dentes afiados,constantemente  tentando morder o calcanhar-de-Aquiles de algum intelectual de esquerda,ou mesmo de direita, se não lhe cai nas graças.
O Século do Nada, esse livro-libelo de Gustavo Corção, à parte os seus fulgurantes trechos estilísticos, é um painel sobre a mentalidade reacionária católica dos últimos séculos. Na sua visão panorâmica, Corção toma partido a favor de todas as manifestações emblemáticas do “Contra” da Igreja Católica,  de Pio IX e PIO X , até aos Papas mais atuais. Corção insurge-se como um touro contra a capa vermelha do toureiro, contra as – assim ditas - inovações modernistas. Corção
Em princípio, o escritor está sempre a favor daquilo que miopiza a Igreja, que – se nçao chega a por-lhe uma venda aos olhos – ao menos lhe põe um véu opaco. Corção propugna por uma Igreja defensiva, por uma Igreja a obriga a marcha a ré. Não lhe escapa nem o “Affaire Dreyfus”, que – para nossa satisfação – Corção, num lance de lucidez,  considera um caso de estupidez judiciária, acrescentando, fulminante: “em outro ponto da história e em outro país  (tais episódios) seriam arrastados pela onda de acontecimentos e se corrigiriam sem tanto alarde, ou mesmo sem se corrigirem desapareceriam nos ralos da história ou da des-história, que de minuto a minuto escoam os erros, as injustiças, e as variadas mesquinharias e baixezas que todos nós vivemos a produzir neste mundo sublunar”. (O Século do Nada. p. 165).
No meio dessa  pasmosa confusão, eis que Corção aborda uma questão que, literalmente, rasgou a opinião francesa: o Caso Brasillach, o pro-nazista francês condenado que o General De Gaulle condenou à morte, acusando-o de colaboracionista.Corção não concorda com o General: “por não haver participado da Resistência Francesa”- explica ele.
Corção aproveita, ainda, a deixa para – utilizando-se da técnica cinematográfica do flashback – relatar as principais peripécias da Action française, suas infinitas querelas com as autoridades eclesiásticas, que terminaram pela censura papal (em 1915) de seu líder, Charles Murras, condenado, por sua vez, pelas autoridades civis francesas à prisão perpétua.
O próximo capítulo será consagrado por Corção à Guerra Civil Espanhola, à Guernica, à Queda da França em 1941, com paradas obrigatórias nos casos do Marechal Pétain  e de Robert Brasillach.
Sejamos justos com o escritor, e com o saudoso amigo: consideramos as páginas que ele dedica ao Affaire Brasillach, figura enigmática da intelectualidade francesa, as melhores do livro. Por um átimo, o irascível escritor  deixa de martelar seus chavões, e se detém, subitamente, com soberba gravidade e simpatia católicas no que realmente importa a um católico: a tragédia humana, existencial e espiritual desse ensaísta e erudito. Corção não esconde nada. Expõe os fatos com objetividade – não com toda a toda a objetivi dade talvez. Mostra-se, em todo o caso, dez vezes mais humano e generoso que os inimigos de Brasillach.
 Confessamos que as reflexões de Corção poderão ajudar o leitor a formar um juízo menos turvado por sentimentos ideológicos – e talvez de vendetta – dos inimigos do infeliz Brasillach. Recentemente, ainda, encontrei num sebo de Porto Alegre, desse escritor, que me deixou perplexo. Pois bem, Corção não dribla dificuldade alguma. Revela como esse “menino-prodígio” se envolveu com a “teatralidade exultante do nazismo”, como esteve na Guerra, como foi corajoso na luta contra os invsores, como amava sua mãe, sua irmã, seus amigos, sua Pátria, seu Deus.  Alude, inclusive, às tolas  boutades (piadas de mau gosto!)) de Brasillach contra “o Judaísmo” que, segundo ele, esquerdizava a França, e deixa claro que o controvertido escritor foi um dos poucos a protestar, em Je suis partout, contra a crueldade com que, nas famílias judias presas, se separavam os pais dos filhos.
 Por fim, Corção  nomeia fatos relacionados com os dias que precederam o fuzilamento de Brasillach. Diz que ele passou esses derradeiros momentos a rezar, que compôs nessa ocasião versos religiosos de peregrina beleza, salmos agônicos, escritos “la mort em face”. (Ib. p. 338-339). Transcreve o apelo que 63 escritores e artistas apresentaram em seu favor ao General de Gaulle – entre os quais: Jean Anouilh, Jean-Louis Barrault, Le Prince de Broglie, Albert Camus, Paul Claudel, Jean Cocteau, Arthur Honnegger, Patrice de La Tour du Pin, Gabriel Marcel, François Mauriac, Paul Valéry, Vlaminck) -  a fim de que este comutasse a pena de morte em prisão. Revela que De Gaulle chegou a conceder a graça pedida, mas que a retirou “à vista de um inesperado documento trazido na última hora: uma fotografia de Robert Brasillach “em uniforme alemão”. Corção esclarece:”O uniforme era realmente alemão, mas quem o vestia não era Brasillach”. (Ib. p. 340). Reproduz os Salmos I, II, III, IV, VII escritos na prisão, e o poema do dia 04 de fevereiro de 1945, à  espera da execução ( que me atrevo a traduzir, parcialmente):
Diante do sepulcro, Vós chorais ainda,
diante do sepulcro onde dormia Lázaro:
nos dias deste mundo, ele foi Vosso amigo,
Vós quebraste, Senhor, suas sombrias amarras.

Lázaro, meu irmão, companheiro de Deus,
Virá o Senhor amanhã...ou nesta noite?
Ajuda-me, tu que nasceste duas vezes para as alegrias da terra,
padroeiro para sempre das derradeiras esperanças.
               
Junto ao monumento, ela se mantém invisível
                a meninazinha, de claros olhos matinais,.
Senhor, tudo é possível, se o quiserdes,
a Menina Esperança já juntou as mãos.

Entrego,  ó Senhor, às pregas de sua veste
minhas aflições, o abraço do  meu coração.
Que o filho me devolva, à hora da alvorada,
o dia da terra, - ou  então  outro dia.
(Ibid. p. 343).
Corção  menciona o livro de Jacques Isorni:  Le Procès de Robert Brasillach. Cita a peça de Brasillach, A Rainha de Cesaréia, escrita pelo autor durante a Guerra, que se tentou programar, em fins de 1957, para o Theatre dês Arts de Paris. Foi impossível encená-la.  Provocou tantas manifestações hostis que o diretor da peça decidiu cancelá-la. Refere um episódio, que ocorreu nessa noite, que realmente redime esta pobre humanidade de sua vergonha: um policial, destacado para conter a multidão,ao verificar que a multidão desertava o local, abordou uma mulher que permanecia sentada, convidando-a, também, a afastar-se.
A mulher respondeu:
- Tenho 20 anos, sou comediante, e sou judia...
                Conhecendo-se o anti-semitismo de Brasillach, e seu fim trágico aos 35 anos, não deixa de comover-nos, até de enternecer-nos, encontrar essa descendente de Israel, no local dos acontecimentos, desejosa de respeitar e homenagear um escritor que, apesar de tudo, possuía uma personalidade sincera, e que não tinha culpa de ser talentoso...
O católico Corção remata esse capítulo estranhíssimo – sob muitos aspectos, inexplicável para a cultura francesa – citando a Carta a François Mauriac , que Maurice Bardèche, casado com uma irmã de Brasillach, confidente durante muitos anos do escritor fuzilado, lhe endereçou.
Finalmente, reproduz um comentário de Jean Madiran ao livro de Bardèche, onde afirma que Brasillach foi executado por aderir a uma política que ele desdenhava: “Condenaram Brasillach por algo que, fora dele ou nele, não era dele”. (Cit. Ib. p. 347).
Verdadeiro? Falso?
Por que me detive tanto tempo no Affaire Brasillach – que Corção trata com prolixidade?
Caros leitores: por uma razão pessoal!
Em 1966, ignorando todos esses imbróglios miseráveis, eu, um jovem candidato ao doutorado em Filosofia, freqüentava a Universidade de Fribourg, na Suíça. Adquiri, então, um exemplar de uma  Anthologie de La Poésia Grecque que um amigo francês me recomendara Quem era o tradutor dessa antologia? Pois bem, o que, na época não me dizia nada, hoje me diz algo: logo no título eu li: Choix, traduction, notices par ROBERT BRASILLACH.( Paris Librairie Stock, 1950).
Foi por esse livro que descobri o gênio épico e lírico dos gregos!
E digo-lhes: sem esse livro, possivelmente, nunca teria desenvolvido meu talento poético... O contato com a poesia grega, naquele preciso momento, deflagrou em mim uma emoção, um interesse pela Poesia, que nem sei explicar hoje.
Mas o encontro com esse infeliz erudito francês (que escreve maravilhosamente, como o detestado Céline, seu amigo), parece que até à atualidade me persegue! Num dia desses, no corrente ano de 2011, de repente topo num sebo de Porto Alegre com uma espécie de garrafa lançada ao mar com uma mensagem: um exemplar em papel amarelado de Notre Avant-Guerre, de Robert Brasillach (Paris, Librairie Plon, 1950).
Verifiquei que a primeira edição desse livro de Brasillach era de 1940, cinco anos antes de o autor ser fuzilado!
Nesse livro de memórias,o autor rememora sua formação no Liceu Louis-le-Grand, em Paris, descreve suas amizades com os colegas, seus sonhos de adolescente, suas primeiras tentativas de escritor, seus amigos, suas descobertas literárias, como a do primeiro livro de Georges Bernanos: Sob o Sol de Satã. Fala de seus encontros com Colette, Paul Valéry, Louis-Ferdinand Céline, das viagens que realizou à Espanha e à Itália. Por fim, num capítulo especial, aborda  “Ce Mal du Siècle, le Fascisme” -  o fascismo  que o iria perder. Em suas páginas irrompem, também, duas figura repelentes: Himmler, o Chefe das SS, e Goebels, o Ministro da Propaganda do Terceiro Reich. Brasillach conta ter jantado com eles, num acampamento militar, onde comeu chucrute, salsichas bávaras, e bebeu o vinho seco da Franconia!
No final desse capítulo, quem dá o ar de sua graça nessas memóprias de Brasillach? Hitler em pessoa - sobre o qual o autor escreve:
- Nunca esquecerei, penso eu, a cor e a tristeza dos olhos de Hitler, que são sem dúvida seu enigma.
(Notre Avant-Guerre. p..276).
Bendigo a Deus não ter sabido durante certo tempo, absolutamente nada, a respeito desses ódios e desses horrores abismais do coração humano! É lógico que não estou inocentando Brasillach, nem incriminando-o. Estou tentando compreender o desatinadíssimo cipoal humano...
Nem me interessa, neste momento, saber quem teve razão – ou o quanto de razão coube às partes antagônicas dessa tragédia – que nem Shakespeare seria capaz de transformar numa bela tragédia!
 Como é difícil... não só tratarmos com homens vivos, mas também com homens mortos!
Saibam os leitores que um dos últimos ataques de Corção, no seu livro Século do Nada, foi contra o grupo dos católicos progressistas,a começar pelos que se reuniam em torno da revista Esprit, dirigida por Emmanuel Mounier.(Ibid. p. 360 ss).
Depois de tudo isso, que sobrava a Corção senão enfrentar o bicho-papão dos bichos-papões do Catolicismo da época: o Comunismo.
Foi o que ele fez.(Ibid. p364 ss.).
Não como um Dom Quixote, cavalheirescamente, mas como um Átila tupiniquim, barbarizado pelas suas convições de católico militante. Ou antes: de católico guerrilheiro.

I. À MANEIRA DE MACHADO DE ASSIS: OS ADJETIVOS PASSAM, OS SUBSTANTIVOS FICAM.
 Consultamos dois famosos dicionários brasileiros, o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, e o Dicionário de Usos do Português do Brasil (de Francisco S. Borba e colaboradores).
Como definem, ambos, o indivíduo reacionário?
Praticamente do mesmo modo:
a) reacionário é o indivíduo aferrado à autoridade constituída;
b) reacionário é o indivíduo contrário a novas idéias.
Digamos, pois, com serenidade: Gustavo Corção, na sua condição de católico, preencheu ambas as condições.
A)  Corção foi um indivíduo aferrado às autoridades constituídas.
Podemos, e devemos, naturalmente formular uma questão: a quais as autoridades constituídas, da Igreja e da sociedade civil, se aferrava o escritor?
Respondamos: às autoridades, a que se aferrava Corção eram as autoridades que continuavam, por sua vez, aferradas ao Concílio de Trento, e às posições mais ilusoriamente anti-iluministas: Pio IX e Pio X.
Acrescentemos um detalhe: havia uma palavra que provocava calafrios em Corção, palavra que ele se encarregou de no-la transmitir: mutação. (Conversa em Sol menor. p. 331).
   Era impressionante a maneira, ppor exemplo, como Corção defendia o Generalíssimo Franco e seus asseclas, embora ele tivesse amaldiçoada o bombardeio de Guernica. Corção reconhecia, lealmente, que a cidadezinha basca fora massacrada pelos Heinkels III e pelos Junkers 52 do Marechal Goering, que nela despejaram, na tarde de 26 de abril de 1937, 1.000 libras de bombas incendiárias, que mataram 1654 pessoas, ferindo gravemente outras 889. (O Século do Nada. p. 171).
Páginas adiante, o escritor, depois de chocar-nos com sua indiscreta revelação, obtida não se sabe onde,onde diz que o Papa Pio XI fazia tremer sua mesa de trabalho com os socos que nela dava, bradando:“Eu sou o papa!”, o católico Corção completava:
- Perdão! Quem não hesitou em se pronunciar a favor de Franco e a aprovar a Guerra Civil, e a abençoar os que aceitaram o penoso encargo, não é o Padre. Garrigou-Lagrange, é o Papa Pio XII gloriosamente reinante nessa data, mas tornado invisível e inaudível para os intelectuais que tiveram tão pronta acuidade para ouvir e entender o decreto de interdição da Action Française. Curiosa obstrução! E para mais nos intrigar o autor de Carnet et Notes  (isto é, Jacques Maritain) intercalou nas páginas 231 e 238 uma explicação atualizada, isto é, datada de 1965”. (O Século do Nada. p. 168).
Lastimavelmente, Corção aferrou—se sempre a todas as autoridades que, de algum modo, eram “autoritárias”, a todas que estavam preocupadas com o freio-de-mão que a Igreja maneja sempre a desfavor das inovações, boas ou más.
Para não perdermos tempo com semelhantes tristezas humanas – demasiadamente humanas – que oprimem a  liberdade dos filhos de Deus, demos a Corção a possibilidade de nos espremer o suco de suas posições conservadores num breve texto de sua coletânea de crônicas,Conversa em Sol Menor, publicada pelos seus amigos em 1980:
- O mundo moderno sofre do descarrilamento terrível operado na Civilização cristã nos séculos XIV e XV. Pela Reforma e pelo novo humanismo emanado do eu exterior, do homem exterior, e adverso a Deus, entrou o homem numa via modernorum e construiu uma civilização do falso amor, em que a glória da ciência das coisas contrasta lugubremente com o luto da sabedoria imolada aos ídolos. (...) E aqui estamos no século XX, onde à luz da Secunda Secundae (da Suma Teológica de São Tomás de Aquino), podemos dizer que triunfou a desordem da caridade, que é outra maneira de falsificar o amor. Os inovadores de libertações chegaram ao ponto de colocar a tônica do cristianismo no amor ao próximo, com o esquecimento da prioridade absoluta do amor de Deus. Quantos jovens padres eu vi, nesses últimos anos, a pular diante do altar versus platéia e a dizer: o cristianismo consiste essencialmente no amor ao próximo! Um desses pobres idiotas chegou a dizer com dureza: “A essência do cristianismo é o amor do próximo...só!!” E basta isto para termos o direito de afirmar que é falso o amor dessa gente, o amor do próximo, que é abstrato, cruel, esquematizado e hipócrita, esse amor do próximo que se aproxima da Fraternité revolucionária que começa par le meurtre du père. Basta isto tudo para me deixar indiferente às campanhas de fraternidade organizadas pelas autoridades eclesiásticas completamente afastadas de quem disse: “O meu Reino não é deste mundo.”(Conversa em Sol Menor. Rio de Janeiro, Livraria Agir Editora, 1980. p.382).
Penso que nunca passou pela cabeça de Corção a menor hesitação mental perante as reprovações desastrosas do Papa Pio IX no Syllabus Errorum Modernorum, um sumário dos  erros modernos – 80 ao todo. Embora nem sempre estejamos de acordo com o teólogo Hans Kung, é uma questão de honestidade dar-lhe razão em muitas coisas, entre as quais esta:
 - No geral, esta foi uma defesa intransigente da estrutura doutrinal e de poder da Idade Média e da Contra-Reforma, e, ao mesmo tempo, uma declaração de guerra à modernidade”. (Igreja Católica.Trad. de Adalgisa Campos da Silva. Rio de janeiro, Editora Objetiva, 2002. p..205).
 Sugiro aos leitores que leiam, sem preconceitos o texto completo desse livro,objetivo, desapaixonado e, do ponto de vista histórico, de uma crueza de filé de açougue.
Obviamente, Corção nunca deixaria, também, de aferrar-se a outro documento: o do Papa Pio X – canonizado pela Igreja, que foi Sumo Pontífice de 1903 a 1914, o bom Papa Sarto, um Santo. Para dizer a verdade, pessoalmente, não só lhe tenho simpatia; tenho-lhe, também, devoção. Mas é preciso admitir que esse Santo Padre (de fato). induzido pelos seus Cardeais: “reprimiu qualquer reconciliação da doutrina católica com a ciência e o conhecimento modernos. Sob o rótulo de “modernismo”, comandou uma limpeza antimoderna em grande escala, uma caça formal à heresia contra todos os teólogos reformistas, especialmente exegetas e historiadores. (...) Um novo Sumário dos Erros Modernos e uma encíclica antimoderna (1907), na verdade, um “juramento antimodernista” (1910), de várias páginas” foi imposto a todo o clero. Pio X pretendia erradicar os modernistas de uma vez por todas. (Hans Küng. Ibid. p. 215).
Nesta altura, depois de refletirmos sobre as controvérsias de Gustavo Corção na sua época – e que hoje nos parecem excessivamente supervalorizadas, e um tanto obsoletas - poderíamos, com uma pitada de humor, inserir aqui um conselho de Santa Teresa, a Grande, Doutora da Igreja, às suas coirmãs do Mosteiro de São José da cidade de Salamanca, que seria de proveito a todos os escritores católicos:
- Filhas, não deixeis de consultar quem tenha letras e assim achareis o caminho da perfeição com discrição e verdade. Precisam muito as preladas, se querem desempenhar-se bem do seu ofício, confessar-se com um letrado (, se não, farão muita asneira pensando que é santidade) e procurem também que as freiras se confessem com quem tenha letras. (Obras Completas de Santa Teresa. 2 ed. Aveiro, Edições Carmelo”, 1978. Livro das Fundações.Cap. XIX. Ibid. p. 1086).
Talvez esse conselho de Santa Teresa talvez servisse,não só para os escritores católicos, mas até para os membros da hierarquia eclesiástica!
B)       Corção foi um indivíduo contrário a novas idéias.
O escritor, sem dúvida, opôs-se a quase tudo que estava se desenvolvendo, ou – em termos mais precisos, a quase tudo que estava evoluindo no Catolicismo, na sua época.
Penso que não vale a pena esmiuçar suas brigas contra tudo e todos. Ele atacou os movimentos sociais, em especial o Progressismo Católico.
 Nessas  investidas, em particular, cometeu  destemperos de linguagem:
Um exemplo:
- Por ingenuidade e falta de leitura das revistas européias (já que o tempo disponível era todo aplicado em matéria perene), eu não sabia que em Paris nos anos 40 o progressismo já relinchava e defecava livremente nos meios católicos. (Conversa em Sol menor. p. 216).
Outro exemplo:
- Dois ou três bispos franceses não sabem falar dez minutos sem usar o termo “um mundo em  mutação”. Se mutação houve, estou inclinado a crer que foi naquele ponto a que atrás aludimos: os idiotas que antigamente se calavam estão hoje com a palavra, possuem hoje todos os meios de comunicação. O mundo é deles. Será genético o fenômeno e por conseguinte transmisssível? – Receio muito - gemeu a voz de meu amigo – Você não leu os jornais da semana passada? – O quê – perguntei com a aflição já engatilhada.- A descoberta do capim. Não tinha lido tão importante notícia, e o meu amigo então explicou-me: um sábio, creio que dinamarquês, chegou à conclusão de que o capim é um dos melhores alimentos do homem. Meu amigo não me explicou que se tratava do Homo sapiens, do Everlasting Man, de Chesterton, ou do Homo Postcnciliarius. Seja como for, dentro de quatro ou cinco anos teremos a humanidade de quatro e espalhada nos pastos. (Conversa em Sol Menor. p. 321-322).
Tudo isso é aparentemente jocoso, muito engraçado, porém, em termos de responsabilidade ´e até de linguagem – é deplorável. Dirigir-se assim aos bispos, e a outros irmãos na fé, em jargão tão achatado, não se tolera num escritor católico!
Noutra passagem - esta do seu livro Século do Nada – Corção lembra-me a história do moleque carioca de Manuel Bandeira que, a uma provocação do poeta, não lhe deu confiança, e alfinetou o grande poeta:
- Não fala bobagem, seu Manuel Bandeira!
(Manuel Bandeira. Seleta de prosa. 5 impressão. Org. de Julio Castañon Guimarães. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 1997. p..291).
Se não, vejam! Gustavo Corção escreve:
- Emprestando ao Papa o binômio bernanoseano (o escritor refere-se a George Bernanos) ele, Pio XI de gloriosa memória, sabe que entre a merda e o sangue, é melhor aceitar o sangue.
(O Século do Nada. p. 254).
Não, não é possível que um escritor de valor se rebaixe a tal estilo!
Admirar-se-á, pois, alguém de que, no fim de sua vida, Corção tenha sido objeto de desdém e picuinhas da parte de seus leitores? Um deles enviou-lhe uma carta que começava com esta exórdio de péssimo gosto:
- Prezado cadáver...
Outro , mais insolente ainda, chamou-lhe
-Vossa Santidade!...
(Conversa em Sol Menor. p. 338).
Tudo isso poderia ter sido evitado se Gustavo Corção não fosse, realmente, um reacionário, e se tivesse compreendido, a tempo, que a obrigação de um católico, sobretudo de um escritor católico, é ter sempre diante dos olhos a sentença de Jesus: A verdade vos tornará livres -  e jamais levar-se demasiadamente a sério.
Valem, também, para o escritor católico as palavras que Lucas cita em seu Evangelho, no capítulo 7, versículo 32, em que Jesus se dirige aos fariseus e doutores da lei:
- A quem, pois, compararei os homens desta geração, e a quem são semelhantes? São semelhantes aos meninos que, assentados nas praças, falam uns com os outros, dizendo: tocamos flauta, e não dançastes, entoamos lamentações, e não chorastes.

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