quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Mensagem aos Grafiteiros de Porto Alegre.

Caros amigos grafiteiros: apreciaria que vocês revelassem as razões, os motivos, enfim os impulsos que levam vocês a cobrir os muros de Porto Alegre com signos, frases de protesto, ou frases sem nenhuma significação.
Digamos que vocês grafitem como forma de protesto.
Para ser eficaz, o processo necessita ser contra alguma coisa.
Contra quê – ou contra quem – são os grafitos de vocês?
Imagino que poderiam ser outra coisa: um exercício lúdico, uma pilhéria. Nesse caso, não poderiam adatar-se ao regulamento dos espaços públicos?
Encontram-se grafitos nos mais estranhos sítios da cidade, inclusive em locais de difícil acesso. Vocês parece conferir-lhes um valor excepcional. Qual seria?
Estive, não faz muito, na França e na Itália. Por lá os grafitos diminuíram sensivelmente. Parece que tal gênero de manifestação perdeu seu impacto inicial.
Ou teriam os grafiteiros da Eurozona percebido que os ideais que eles defendiam, entre os quais o da defesa da ecologia, precisa submeter-se a determinadas exigências, entre elas a da despoluição visual?
Se poluímos a visão pública, impondo-lhe simbolismos esotéricos, ou subjetivos, poderá resultar disso um efeito contraproducente.
         Uma invenção da humanidade, tão importante como a invenção da escrita, merece ser melhor utilizada.    A Prefeitura de Porto Alegre poderia destinar espaços aos grafiteiros?
Com semelhante disciplina, os grafiteiros teriam como desafogar-se. Artistas, semi-artistas, não-artistas, exercitariam seus talentos, sua ironia, seu humor.
         Grafiteiros de Porto Alegre, vocês fazem parte de nossa comunidade. Vocês não podem considerar-se excluídos.
Não cultivemos, pois, sentimentos dúbios! Não deixemos que emoções  anárquicas, ou até antissociais, se infiltrem em nós.
Se vocês não aceitarem minhas reflexões dissuasórias, sejam, ao menos, criativos;
Na pior das hipóteses, respeitem às crianças que estão nascendo neste instante.
Elas nada fizeram contra vocês.

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