sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Estamos Cansados de ser Ocidentais.

            Abramos os olhos, amigos! Existe um provérbio que diz: o pior cego é aquele que não quer ver.
            Estaremos ficando cegos de tanto não ver?
À luz dos escândalos atuis:  pedofilia, perfomances anômalas  de políticos, falsificação de medicamentos, ataques especulativos a nações em apuros - a opinião pública parece anestesiada.
O cidadão normal já não pode tomar um café tranquilo pela manhã. O desjejum será sempre acompanhado por manchetes desoladoras. Os escândalos não costumam se apresentar  desacompanhados: apimentam-se com atentados terroristas.
A solução mais fácil seria imitar os malsinados avestruzes: baixar a cabeça, enfiá-la debaixo da areia de nossos probleminhas de fluxo de caixa, de nossas picuinhas afetivas no âmbito doméstico.
Mas, ao que parece, a maioria silenciosa, a que trabalha da madrugada ao  cair da noite, a que não exibe carros de última geração, a que utiliza os atopetados transportes público, principia a perceber que a sociedade não evolui sequer milímetros para o bem estar social e a respeitabilidade ética, a não ser quando os cidadãos se unem, e impõem, pela força de seus músculos democráticos ordem na turbulência.
Vejamos o que acontece na Itália: as mulheres resolveram enfrentar o machismo nacional, o dos líderes, e o dos varões em geral.
Machismo?  Ainda existe em pleno século XXI? Seria uma honra para nós afirmar sua inexistência. Mas quem não vê que ele triunfa em toda a parte: no marketing, na publicidade, nos ideais midiáticos de promoção social?
O máximo de despudor...Não!
A mais triste confissão pessoal que já li na minha vida, a mais extrema prova de ascensão e queda de auto-estima, foi a de uma adolescente, que vive na Itália. Sim, refiro-me a Ruby, a marroquina. Sua confissão foi divulgada pelos diários de todo o mundo:
-A outra era a querida do Papi. Eu sou...”
Não me atrevo a completar a declaração da menor de idade. Ou, caso fique provado, da maior de idade. Advirto que a infeliz adolescente não é em si culpada de tanta auto-degradação. Ela é um espelho da sociedade de consumo que lhe incutiu tais ideais.
E dizer que, nos “belos tempos” do Marxismo arruaceiro, na época da Revolução de 68, que incendiou Paris, na época das “nouvelles vagues” havia uma moda: falar em coisificação, em reificação, em objetivação feminina.

Entendamo-nos: os ideólogos que usavam tais expressões queriam significar que os burgueses transformavam as mulheres em bonecas vivas, as mesmas bonecas que com o tempo foram substituídas - pela tecnologia do sexo - por bonecas infláveis à disposição de celibatários incorrigíveis, ou misóginos.
Não é possível perder mais tempo mais tempo com tais frivolidades.
Necessitamos de um recauchutamento social (por enquanto, contentemo-nos com essa expressão sem graça). Aguardemos a sonhada reforma vocabular. Confúcio afirmou que toda reforma social deve começar por uma reforma do vocabulário.
Defender, pois, os valores burgueses, como é nosso hábito, e ao mesmo tempo desejar uma sociedade justa, é o mesmo que convidar um sacerdote a abençoar o escandaloso casamento da Água com o Fogo. O ministro de Deus junta as mãos dos nubentes, envolve-as na estola, pede-lhes que troquem as alianças. Perfeito! Não conseguirá que se amem.
Teremos o brio de lembrar que a humanidade já teve, e terá sempre guias iluminados. Pensemos em Jesus, não como hipótese, mas como incontornável realidade.
Talvez valha a pena repensar a frase de Ghandi: “Se vós, cristãos, vivêsseis como Cristo, a Índia inteira há muito estaria a vossos pés”.
Ninguém, neste momento, quer confessar, mas a realidade é que estamos cansados de ser ocidentais! Nossos valores – pois foram valores noutros tempos!– parece terem perdido a força do sal.
            Se aconteceu essa desdita , aceitemos, ao menos, as lições Lao-Tsé, Confúcio, Buda, talvez de Epicuro ( um dos mestres de Marx!), de Epíteto, ex-escravo, e de Sócrates.
Um pensador, tão lúcido como Romano Guardini, incluiu Buda e Sócrates entre os precursores de Jesus.
Todo o mundo sabe que o precursor oficial de Jesus foi João Batista.
O Rei Herodes, depois de uma cena de striptease, apresentada pela filha de Herodíades, (mulher de seu irmão Felipe), cuja conduta imoral o Batista condenara, mandou cortar a cabeça do Precursor, e presenteou com ela a bailarina, que acabara de abrilhantar sua festa de aniversário.
Foi uma manchete da época - que não chegou às primeiras páginas dos jornais, nem inundou as telinhas de televisão. -.É que não existiam.
 A manchete, porém, chegou até nós, nas páginas do testemunho de Mateus. Os leitores podem lê-la no Capítulo XIV de seu Evangelho.

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