segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Escândalos nos jornais

Pensar nunca foi fácil.Atualmente é mais difícil, quase uma acrobacia!
Talvez devamos levar a serio a observação do bispo americano, Fulton Sheen:
- Basta que alguém coloque a cabeça entre as mãos, para que se aproxime alguém, e pergunte: “O Sr. está com dor de cabeça?”
As notícias não param de pipocar. Técnicos de Taiwan elaboram “reconstituições de episódios tórridos”, oferecendo-os ao público em substituição a vídeos rodados por aparelhos indiscretos. No meio desses assediantes fogos-de-artifício, alguém será, ainda, capaz de perguntar: - Onde ficaram os critérios de avaliação?
Digamos que um indivíduo tenha a idéia de recorrer às autoridades. Digamos que esse indivíduo prefira ouvir as autoridades eclesiásticas, ou outras autoridades de respeitabilidade moral, entre elas o Dalai Lama. Suponhamos, enfim, que esse alguém se dirija aos próprios representantes oficiais das autoridades.
Qual a impressão que deixam tais autoridades?
A de um campo de futebol, do qual tenham desaparecido os árbitros, os bandeirinhas, e até os gandulas! –
Amigos, começo, também, a sentir-me preocupado, até mesmo, a sentir-me “culpado”.
Já não estremeço diante de nenhuma notícia. Querem bombardear a Capela Sistina? Imaginei tal possibilidade. Pretendem destruir a Pirâmide-de-Vidro do Louvre? Estou preparado para chorar com os franceses. Alguém cogita em dar um tiro na Chanceler da Alemanha?  Meu Deus, até nisso pensei!
O que, porém, me deixa pasmo – um clichê das altas rodas – não são, exatamente, tais fantasias cabeludas. O que me deixa, de fato, pasmo, e me envolve com a mais espessa bruma mental, ao ponto de eu me lembrar de uma expressão cara aMachado de Assis: Il mondo casca! (O mundo vem abaixo!) , é verificar que os critérios parece terem sumido.  
Imaginemos um distraído crente, do um distraído judeu, ou um distraído muçulmano. Suponhamos que se indignem –contra qualquer personalidade da mídia envolvida em escândalos. À falta de outro, pensemos no primeiro ministro italiano, cujas perfomances amatórias causam furor neste momento.
 Se tais indivíduos levantarem a questão: Podem indicar-nos os parâmetros éticos para apreciarmos essas manchetes, quem lhes dará uma resposta adequada?
Até há pouco, tais parâmetros ajudavam-nos a fazer emudecer o inconsciente coletivo, ou o subconsciente pessoal de cada um, aquela voz que Carlos Drummond de Andrade inseriu nos seus versos famosos:
Oh! sejamos pornográficos
( docemente pornográficos),
 por que seremos mais castos/
que o nosso avô português?
Dito com mais clareza: onde ficou o fio-de-prumo do passado, que permita – não digo julgar as atitudes dos representantes da sociedade, eleitos livremente, mas torná-los reféns de algumas exigências de respeitabilidade social?
 Estamos perplexos! Já não percebermos, na confusão que nos cerca, tais critérios valorativos, sejam eles de ordem filosófica, evangélica ou, na pior hipótese, de ordem ideológica.
A verdade é esta: - necessitamos de critérios éticos que nos julguem, mas que não possam ser julgados por nós. Ou critérios perenes, que só a Fé pode dar, ou – ao menos  oscritérios kantianos da pressão interior, os postulados a-priori da razão prática.
Dito de outro modo: não estamos interessados em julgar a moralidade dos homens públicos.  Não queremos que nos mostrem suas carteiras de identidade. Não desejamos saber onde estiveram nas últimas semanas, se na penumbra de um confessionário, ou na elegante descontração de uma sala de psicanalista...Nada disso! O indivíduo – o sujeito em carne osso – não nos interessa! Como não nos interessa a qualidade do papel em que foi impressa uma lei, ou uma encíclica.
 Queremos que alguém  (o ideal seria um Anjo, um Demônio, ou um Poeta, talvez Dante Alighieri) nos diga na cara:
 Pessoal, atenção!
 Nossa Constituição (ou, se somos crentes), nosso Credo, ou nas pior das hipóteses, o código de nossa agremiação poliítica  nos impõem princípios de conduta  inegociáveis.
 Onde estão esses princípios?
Esqueçamos, portanto. o primero ministro, o esportista Tiger, o jogador Maradona, et alii. Tenhamos, até, compaixão de sua imensa solidão pessoal, de seu descalabro existencial.
Pensemos em nós!
Pensemos no risco que corremos de incidir na hipocrisia, de condenarmos o alcoolismo sem saber o que é o álcool, na pretensão de se considerar a embriaguez qualquer gole de refrigerante.
Será que não nos damos conta de que estamos a caminho de um estrepitoso vômito?

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