quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Para Ela

Os nossos rostos serão os mesmos, porém tu
não responderás ao espelho que te interroga.
As nossas mãos serão as mesmas, porém tu
não apanharás, do mesmo jeito, uma xícara.
Os nossos olhos serão os mesmos, porém os teus
olharão para mais longe, para um outro azul.
Os nossos pés serão os mesmos, porém tu
caminharás vacilante, apoiada numa bengala.
Vendo-nos a sós, alguém dirá: “Estão juntos!”
Outros exclamarão: “O amor é um milagre...”
Nossos cabelos brilharão da mesma cor do leite,
e os nossos corações saberão mais coisas, juntos.
Eu te olharei, surpreso, como quem olha um rubi:
tu me olharás, serena, como quem fixa um leão.
Neste imóvel minuto, o mesmo riso brincará
nos teus lábios e nos meus, como um pássaro perdido.
Talvez já não tenhamos a mesma paixão selvagem,
talvez os nossos corpos não ardam das mesmas chamas.
Mas será uma alegria ver os troncos reverdecerem,
e a solidão convertida em trigal que o vento agita.
Enfim, eu te direi: ”Valeu a pena! Foi uma aventura.”
Responderás, ainda mais bela: “Quem imaginaria?”
Riremos novamente. E os amigos dirão:
“Como são jovens! Acordam, sempre, do mesmo sonho!”

Um comentário:

  1. Che dolce e tenera poesia d'amore!
    Armindo ci dice ... che è possibile!
    Grazie!

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